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domingo, 20 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Uma Razão para Viver


A poesia que vamos revisar hoje fala mais uma vez nas metáforas que eu usei tantas vezes sobre a infância, sobre amadurecer, mas o que eu acho mais interessante nela é que ela se chama "Uma Razão para Viver" e era exatamente o que eu não tinha nessa época.

Poesia do dia 15 de agosto de 2008 (sexta-feira)

Uma Razão para Viver

Nem um raio de sol, só a chuva caindo...

Nada de encontrar a superfície, só submergindo...
Nenhuma saída, apenas escuridão...
Nada mais de concreto, tudo uma ilusão...

A linha tênue do sonho perdido
Limita a visão do ser que chora.
Não há mais ninguém envolvido
Onde a solidão é quem mora.

Vidas por mais que passadas,
Intenções mais que esquecidas,
Palavras não mais repetidas,
Esquecidas e muito cansadas...

Não é problema perder,
Se a perda é lição aprendida.
Ninguém consegue saber
A palavra que quer ser ouvida.

Qualquer intenção é válida
Se a intenção consegue salvar...
Se, no coração a pureza cálida,
Permanecer sem se quebrar.

A lua arrasta um novo dia,
Um dia relutante em nascer.
E os olhos encontram a melodia
De uma nova razão para viver.

A tristeza é inquebrável redoma,
Atada às correntes do juízo
Que a própria cura é sintoma,
Vagar à procura de um sorriso.

Dor da profunda saudade
Quebra o trato com o sofrimento
Para que retorne a felicidade
E acabe esse mar de tormento.


Dá pra perceber que todas essas poesias sempre tem a Escuridão nelas, ela sempre aparece e normalmente é bem na primeira estrofe. Ela controla tudo e, nessa época, ela controlava também a minha escrita, minha inspiração.

"Não há mais ninguém envolvido
Onde a solidão é quem mora."


A Depressão sempre te faz se sentir só e, quanto mais sozinho você fica, mais sozinho quer ficar e acaba afastando a todos!

Ninguém consegue saber
A palavra que quer ser ouvida.


Infelizmente, não existe uma coisa certa a ser dito pra quem está assim, não existe uma cartilha para ajudar aquela pessoa, ela principalmente precisa querer ser ajudada, mas acho que o mais importante é que não se desista dela, mesmo que ela esteja afastando a todos.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 19 de agosto de 2017

Conheça a sua Força!



Com a Depressão não dá pra prever como serão nossos dias...
Às vezes, você acorda e consegue não sentir aquele peso horrível no peito, consegue se levantar quando o despertador toca, se trocar, tomar seu café e sair. Ela até te deixa ser produtivo e fazer tudo aquilo que você tinha planejado, você consegue chegar ao final do dia orgulhoso de si mesmo, sentindo que fez aquele dia valer à pena!

Às vezes, você já acorda cansado, com o coração apertado, desmotivado, desejando que o mundo seja destruído por um meteoro. Se você consegue sair da cama, o dia é longo, exaustivo, sua mente nunca está focada verdadeiramente em nada. Sua lista de coisas pra fazer parece interminável e, no final do dia, você só quer se trancar no seu quarto e fingir que não aconteceu.

Mas também tem dias que parecem que vão ser bons e no final a doença também acaba vencendo... Nesses dias, tudo está normal e você está tendo um dia bom, você consegue se divertir e aproveitar. De repente, todo o seu ânimo te abandona e você simplesmente não sabe o que aconteceu, mas nada parece bom e você não quer mais fazer nada.

Isso é completamente normal! Quando alguma coisa abala seu emocional de alguma forma, a Depressão se aproveita disso e eu não vou falar em termos técnicos de como ela faz isso biologicamente, como eu já disse, eu não sou especialista, tudo o que eu estou dividindo são situações que eu já encarei, já aconteceram comigo nessa árdua convivência com ela.

Dias bons e ruins sempre acontecem, não importa nossa condição, todos nós sempre temos de passar por alguma situação que nos deixa arrasados, que nos dá muita vontade de desistir mesmo. Com a Depressão, coisas normais podem nos deixar assim todos os dias. O importante é saber que você é capaz de passar por tudo isso! Você pode e precisa se dizer isso muitas vezes, mas uma hora você começa ou recomeça a acreditar na sua própria força!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Futuro


Quando eu coloquei essa poesia que vamos revisitar agora no Poetry Time era a mudança de 2014 para 2015 e eu não sabia direito se ela tratava de um sentimento que tinha ido embora ou se ainda estava ali. Eu queria poder pegar em minha mão e me dizer que é um sentimento que ainda está aqui, mas tudo bem! Você vai ficar bem!

Poesia do dia 1º de janeiro de 2009 (quinta-feira)

Futuro

Por quanto tempo ainda vai durar

Toda essa minha solidão?
Essa noite infinda sem luar,
Na estrada escura da ilusão?

Que dor é essa que fere e não existe?
Que traz a espada transpassada pelo peito?
Que condena o coração a ser tão triste?
Que faz qualquer problema não ter jeito?

Essa angústia dilacera sem motivo,
Encarcera a razão inconstante.
Traz no impossível um atrativo
De uma ansiedade tão sem precedente.

Eu busco dolorosamente essas respostas,
Como eu queria esse segredo desvendar...
Pra não errar nesse jogo de apostas
Que é o Futuro a me espreitar...

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, como eu falo tantas vezes nessas minhas novas análises, pode até parecer repetitivo, mas é um fato. Quando a Depressão me pegou eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Eu acreditava que a Depressão era tantas coisas que não conseguia enxergar o que estava bem na minha frente.

O que é essa dor que fere e não existe? Que traz a espada transpassada pelo peito? Que condena o coração a ser tão triste? Que faz qualquer problema não ter jeito? A Depressão!

Uma resposta tão simples e tão dolorosa quanto as perguntas, tão difícil e tão elucidativa! Às vezes, eu me pergunto se eu teria entendido e aceitado mais fácil se tivesse tido alguma ajuda. Muito provavelmente, mas o caminho é tortuoso e diferente para cada um.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Solidão



Imagine que você está sozinho dentro de uma casa. Não é a sua casa. Você não sabe onde estão as outras pessoas e não sabe se já esteve naquele lugar antes, tudo parece desconhecido e sombrio.

Não sombrio "filme de terror", sombrio de frio, de doloroso, de triste...

Você começa a andar por essa casa e tenta descobrir alguma coisa, mas está cada vez mais escuro, parece que o sol está se pondo e não tem energia elétrica nesse lugar, quando estiver noite, será praticamente impossível enxergar alguma coisa.

O lugar também é muito frio e todas as portas estão trancadas, só o que você escuta são os seus próprios passos. Você tenta chamar alguém para te ajudar, mas sua voz sai fraca, nem mesmo você é capaz de se escutar.

Aquele lugar te causa angústia, arrepios, vontade de chorar e a cada novo corredor, tudo parece novo e desconhecido e hostil. Aquela solidão começa a te sufocar, você quer gritar e não tem voz, você quer correr e não tem forças, você quer respirar e lhe falta o ar.

Para piorar, esse lugar, que você não sabe, fica na beirada de um abismo e, dependendo de onde você está pisando, pende mais pra queda ou mais pra terra...

Essa casa é você! Você não é capaz de se reconhecer, você não consegue pedir ajuda, você se sente sozinho e machucado. A Doença te trancou ali dentro e a cada dia você pode cair.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Daybreak



Essa poesia é uma importante, porque no texto já postado aqui no blog eu até falo sobre estar com um problema na época. Eu achava muito que o que me incomodava tanto era que eu não queria crescer (o que não é de todo mentira, crescer é uma coisa muito chata, mas é inevitável), eu não conseguia entender que o que tornava tudo mais difícil era a doença. Eu ainda não tinha aceitado a Depressão e ainda não tinha entendido o que acontecia comigo.

Poesia do dia 31 de março de 2009 (domingo)

Daybreak

Eu já não sou mais o que eu era...

Não existe algo pelo que voltar...
Sou pouco mais que uma quimera,
Um corpo oco por aí a andar...

Eu continuo só porque é preciso,
Não faço nada além de convencer
Que é de verdade meu falso sorriso,
Que eu faço certo ao esperar você...

Estou apostando alto nesse sonho,
Porque já não tenho como suportar
Que ao meu redor é tudo enfadonho,
Bobo e cruel ao me encarar...

Pra que os meios, eu só quero os fins...
Quero que tudo já tenha passado.
Pular todas as fases ruins
E receber só o bom resultado.

É angustiante ainda estar parada.
Por que é tão difícil voltar a viver?
Eu preciso ser logo resgatada,
Já está na hora da vida acontecer...

Eu não me importo de tudo desistir,
Pois não é aqui que eu devia estar.
Se você me ouvisse como eu posso lhe ouvir
Você já saberia onde me encontrar...

Já bastam minhas asas perdidas,
Não quero ter os sonhos quebrados...
Não venham com palavras intrometidas
Que enegrecem meus dias ensolarados.

Eu sinto, pouco a pouco, o dia tendo fim.
A luz da lua está prevalecendo.
O importante agora pra mim
É sonhar com outro amanhecendo...

Eu me refiro a mim mesma como "um corpo oco por aí a andar" e eu não acho que estava tão longe disso, porque eu me sentia vazia e fria por dentro, mais perto da morte do que de ser uma jovem de vinte anos, na faculdade, com todo o futuro pela frente. Eu encarava tudo como se já tivesse de acabar, "eu continuo só porque é preciso"...

Tudo o que eu fazia era sonhar que um dia tudo ia melhorar...

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Depressão não é Movimento Literário


Eu falei no meu texto de ontem sobre a Depressão não ser sobre músicas e poemas tristes e me lembrei desse texto que eu coloquei no meu Instagram há algum tempo. Não é meu, mas é uma coisa muito importante, então eu vou traduzi-lo aqui.

"Podemos parar de agir como se Depressão fosse sobre poemas tristes e músicas românticas? Depressão é estar cansado sem ter feito nada, é não conseguir comer mesmo sem ter comido nada o dia todo, é se sentir culpado por coisas que não são sua culpa, é afastar todos porque você não consegue fazer outra coisa, é nebuloso e estranho e sombrio. Não é 'triste' num bom sentido, não é sobre estar triste o tempo todo. São altos e baixos e é uma tremenda bagunça".

Depressão é se sentir sozinho e abandonado o tempo todo pelas pessoas em quem você confia, é achar que você não merece que ninguém se importe com você, é escutar mais as coisas horríveis que sua mente lhe diz do que qualquer tentativa de ajuda de alguém!

Depressão não é bonito! E não se vence sozinho!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Fusco


Voltando  nas minhas poesias divididas no Poetry Time aqui do blog, eu encontrei essa daqui, que é uma das minhas poesias que eu mais gosto e que também fala um pouco sobre a Depressão.

Poesia do dia 21 de setembro de 2009 (segunda-feira)

Fusco



Noite profunda, sem nenhum luar,

Onde está a luz nessa Escuridão?
Mesmo cansada, não posso parar...
É difícil ver outra opção...

Eu me afundo nessa dor louca,
Talvez, eu apenas goste de chorar...
A fuga, mesmo que seja pouca,
Tenta aos poucos me aconchegar...

Adeus, asas perdidas!
Eu as encontro ao amanhecer...
Conviver com minhas feridas
É só o que posso fazer...

Eu quero dessa vida me esquecer,
Quero tocar, tão longe, aquela luz...
Quero docemente adormecer
Na liberdade que tanto me seduz...

Eu sempre gostei muito de Fusco e sempre que alguém me pedia pra ler uma poesia minha, era ela que eu costumava mostrar.

Quando eu a escrevi, eu estava no auge da minha Depressão, estava quase no final do primeiro ano da faculdade, já tinha completado um ano desde que criara minha conta no Nyah! Fanfiction e tentava a todo custo sobreviver aquele sentimento terrível que eu não entendia ainda porque me derrubava tanto.

Eu tinha comentado que não lembrava se tinha chamado em algum texto essas poesias de "poesias cinzentas", nesse texto, que é o Poetry Time 71, eu usei esse termo e eu disse que gostava mais dessas poesias do que das românticas. Interessante, não?

Quando eu escrevi Cause I'm a Writer, em 2015, eu já estava bem melhor do que quando escrevi minhas poesias e já era capaz de ver o quão verdadeiros eram os sentimentos nelas, o quanto de mim tinha nelas.

Mas sempre vale ressaltar que Depressão não é só feita de músicas e poesias tristes, ela tem o lado mais negro, que é essa Escuridão que eu falo na poesia, que te devora, te desfigura, te mutila, te faz sangrar e gritar e ninguém te escuta. Depressão não é um movimento literário, é uma doença e nós temos de tratá-la como tal sempre!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 13 de agosto de 2017

O Estigma nos mata, não a doença



A cantora irlandesa Sinead O´Connor fez um vídeo emocionante sobre Depressão e sobre como é horrível conviver com a doença e como o Estigma ainda mata mais as pessoas do que a doença em si.

Essa é a terrível verdade. A Depressão pode nos deixar completamente afundados em solidão, em dor e escuridão, mas toda vez que as pessoas a nossa volta desacreditam e desmerecem o que sentimos, não tem nada pior!

Ela fala como é difícil sobreviver todos os dias aos sentimentos horríveis que a doença traz e isso não é viver!

A Depressão é uma doença que não está no físico, apesar de ter vários indícios, mas ela é uma doença que ataca aquilo que não podemos ver e tocar, que não dá pra amputar! Eu não sei no que vocês acreditam, mas eu acredito que cada um de nós tem Alma e é justamente onde eu acho que ela ataca. Ela ataca naquilo que existe de mais puro dentro de nós, na fonte de todos os nossos sentimentos, onde consegue nos deixar mais despedaçados e frágeis!

Se alguém quiser ver o vídeo inteiro, só consegui esse trechinho legendado, o link está aqui embaixo:

Minha mente quebrada



É muito triste mesmo encarar essa realidade das doenças mentais, porque muitas vezes as pessoas que não aceitam que você não está bem são principalmente aquelas que deviam estar ao seu lado, te apoiando e cuidando pra que você melhore.

Eu vou bater na tecla de que Depressão não tem nada a ver com ócio e a popular frase "falta de louça pra lavar" até conseguir fazer entrar na cabeça de alguém! É muito feio dizerem uma coisa dessas pra alguém que está doente! Ainda mais alguém pra quem as coisas assim tem um peso muito maior!

Como você consegue convencer alguém a procurar ajuda, procurar um Psicólogo e tratamento se esse preconceito ridículo ainda existe? Mas o que me deixa inconformada é que infelizmente a resposta que eu ouço é "nós ainda temos preconceito com cor da pele, com sexualidade, com etnia, como não teria com doenças?". Eu não acredito que ainda vivemos num mundo tão estagnado, em que pessoas ainda acham que tem direitos de julgar os outros!

Pele, sexualidade, etnia, nada disso tem a ver com  ninguém, cada um cuida de si e nós vivemos muito melhor!

Doença, se você não tem nada de bom pra dizer, se você não pretende ajudar, FIQUE EM SILÊNCIO! As pessoas precisam de apoio, de carinho e vocês só querem machucar mais pessoas já muito machucadas!

Falta sensibilidade nas pessoas, falta pararem de julgar os outros por si e olhar as pessoas a sua volta com o coração! Nós precisamos voltar a cuidar um do outro!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 12 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Agonizando


Voltando às poesias que eu expliquei muito por cima quando as coloquei em meu "Poetry Time" do Cause I'm a Writer, eu encontrei mais uma que se encontra na mesma categoria das Poesias Cinzentas.

Poesia do dia 14 de janeiro de 2010 (quinta-feira)

Agonizando



Eu me sinto tão vazia que mal posso chorar.

A minha alma aqui dentro está se rasgando.
Em parte alguma, eu sinto a dor parar.
É terrível me manter respirando.


Eu sinto o ódio rangendo os meus dentes,

Sinto a dor profunda me despedaçando,
O gosto de sangue e de culpa em minha boca, bem quentes,
A loucura corre em minhas veias, me incitando.


O Espelho provocante torna-se mais demoníaco

Diante dos meus olhos, me ludibriando,
Debochando do desesperado batimento cardíaco
Do meu frágil coração ainda pulsando.


O meu viver quer rapidamente se acabar,

Se render teatralmente ao que vai me matando.
Eu quero, eu preciso de lágrimas pra chorar,
Pra jogar fora o que está definhando.


Já estou farta de fingir tudo aguentar,

Porque eu não vou mesmo acabar ganhando!
A quem eu estou tentando enganar?
Qualquer um sabe o final que está me esperando...


Uma parte de mim, desejava viver...

Quando foi que ela foi se acabando?
Que triste fim que a fez esquecer
A sua força pra continuar lutando?


As rimas mancham esse simples papel,

A fria realidade está agora despontando...
Um autorretrato tão cruel
Dos sonhos lindos evaporando...


Foi a falta de fé, de confiança?

Foi isso que um monstro acabou criando?
Um devorador de almas, de esperança?
Isso que agora eu vou me tornando?


É um novo e assustador quarto escuro...

Uma pura e inocente criança brincando...
Traços do triste vislumbre do futuro
Que com o subir das cortinas está começando...



Essa foi a única poesia que eu escrevi em 2010, um ano muito mais próximo de quando eu entrei em Depressão do que agora. Eu começo a poesia já falando sobre me sentir vazia e não conseguir chorar, o que é mais do que explicação por si mesmo e depois eu falo sobre a dor profunda me despedaçando e o sabor de sangue e de culpa, tudo isso está relacionado a Depressão.


"O meu viver quer rapidamente se acabar,
Se render teatralmente ao que vai me matando."


Eu ainda tinha na ideia que a saída para acabar com a dor era morrer, mesmo nessa época eu já estar completamente focada em escrever e em buscar melhorar. O caminho que eu tinha pela frente ainda era longo e eu mal tinha começado. É muito fácil cair em tentação de desistir.


No final da minha explicação quando eu postei essa poesia da última vez, eu disse uma coisa muito interessante que eu vou repetir aqui:

"... aquela criança inocente e sonhadora, que voava com as asas malfadadas da rosa da manhã se transformou num monstro devorador de almas e de esperança".

Usando minhas próprias metáforas para explicar sem dizer absolutamente nada! Palmas! A criança, que era eu, nas "asas da manhã", a infância malfadada por sempre ter de terminar, foi transformada pela doença no monstro da Depressão.

Eu estou gostando de refazer essas análises e falar abertamente sobre o que se passava comigo nessa época. Espero que vocês também gostem!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Filme de Monstro


No meu último texto, eu falei sobre como as gravuras costumam representar a Depressão como um monstro e me lembrei de uma coisa que minha irmã me disse uma vez sobre o filme "The Babadook".

Pra quem não conhece, "The Babadook" é um filme de terror psicológico de 2014, sobre uma mulher viúva tentando lidar com a morte do marido e a criação conturbada de seu filho.

Apesar de esse ano, por causa de uma brincadeira no Tumblr, o Babadook ter se tornado um símbolo entre a comunidade gay por associá-lo com a frase "sair do armário", o que eu realmente vim falar não tem nada a ver com isso.

Eu não sou a maior fã de filmes de terror, mas a minha irmã é e ela também é psicóloga, o que deixa suas interpretações ainda mais interessantes. Quando ela assistiu ao filme, quis me convencer a assisti-lo também e seu argumento foi que não era um filme tão assustador quando você assiste sob o olhar de que o monstro na verdade é a Depressão mal tratada dessa mulher.

Muitas vezes, em listas sobre filmes de terror para assistir, eu já tinha visto muitos comentários sobre Babadook não ser um filme tão assustador e essa foi a verdade que minha irmã encontrou e dividiu comigo. Ele não é um filme assustador para as pessoas que gostem de filmes de terro porque ele é um filme sobre lidar com a Depressão.

Esse monstro que assombra a casa dela e ameaça seu filho é a própria doença, negligenciada desde a morte de seu marido, o que fica bastante claro quando o Babadook assume a forma dele numa das cenas do filme.

Eu recomendo a todos que nunca viram e todos que assistiram apenas como mais um filme de terror, verem "The Babadook" com essa análise e entenderem melhor ainda como a Depressão funciona.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Bravura!


"Você acorda toda manhã para lutar com os mesmos demônios que te deixaram tão cansado na noite anterior, e isso, meu amor, é Bravura!"

Com a Depressão é assim, todos os dias, mesmo que você vença no dia anterior, hoje você precisa lutar de novo. Por isso, nós precisamos mudar a visão que as pessoas tem de que quem tem Depressão é fraco, é ocioso. Muitas vezes, são as pessoas mais fortes e batalhadoras que você vai conhecer!

Mas o importante não é vencer e e sei que isso parece aquela coisa de quando a gente é criança  e nossas mães tentam nos ensinar, mas eu não vou falar que o importante é competir. O que é realmente importante é continuar! Uma vitória não pode te deixar cheio de confiança e uma derrota não pode te deixar desmotivado. É o que significa lutar diariamente, cada dia conta, cada vez que você se levanta, você se prepara pra lutar, isso é o mais importante!

Eu acho muito interessante que nessas gravuras sempre a Depressão é retratada como um monstro. Às vezes, ela é grande, às vezes, pequena, mas nunca é uma coisa bonita de se encarar. Porque ela escolhe o pior que há em nós para se disfarçar, para nos enganar e machucar... Essa é a verdadeira face da doença.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão- Shadows


Quando eu escrevi o "Cause I'm a Writer E Outras Histórias" aqui no blog em 2015, eu expliquei muito por cima toda a temática de Depressão e sobre a minha real vontade de morrer, então vou pegar algumas das poesias que já foram apresentadas e interpretadas aqui, fazer uma pequena revisão.

Eu não me lembro ao certo se mencionei em algum dos textos como eu me refiria a essas poesias da Depressão, mas nas tags vocês podem encontrá-las como "Poesias Cinzentas".

Poesia do dia 1 de março de 2014 (sábado)


Shadows




Antes, tudo era escuridão

E eu vivi nela até meus olhos se acostumarem
Com vultos, vi imagens se formarem...
Achei que aquilo era visão!
Achei que dava para as luzes me encontrarem...


O caminho era longo, o fim, distante,

Muitas vezes, tropecei e caí...
Não havia muito mais que sentir...
Havia só a promessa farsante
De um dia verdadeiramente existir...


Na escuridão, não há asas, não há flor.

A escuridão é o oposto do amanhecer.
Na escuridão, não se pode nem mesmo morrer...
Mas a morte não se afasta e está na dor...
A escuridão não é mais que sofrer...


Esse lugar faz chover incessante

Ou talvez seja só o meu desejo...
A chuva não é luz, mas me vejo
E a escuridão não perdoa o instante,
Não perdoa meu pequeno lampejo...


Minha chuva, a tristeza não afoga,

Desolação que sufoca meus passos,
Ofegante, eu caio aos pedaços...
Minha alma pela luz roga,
Sem forças, me carrego em meus braços!

Essa foi a última poesia que eu consegui escrever, já faz um bom tempo e ela fala quase abertamente sobre como eu estava me sentindo. Ela fala sobre se acostumar à escuridão, que é conviver com a doença, fala sobre o caminho ser longo e sobre os tropeços, que é toda vez que você pensa que está no seu domínio e a doença volta a te derrubar.

Alguém uma vez me disse que eu era como um pássaro sem asas, porque artistas costumam ser engolidos pela própria arte e não conseguem ficar em paz num lugar só, enquanto que eu era calma e estática; essa pessoa não percebeu que eu era um túmulo por fora pra manter meus monstros gritando apenas aqui dentro! Essa metáfora das asas, como eu já expliquei antes, está ligada à minha infância, não que eu me considerasse mais livre quando criança, mas a ideia de crescer e não voar mais explica muito bem a sensação.

"Na escuridão, não se pode nem mesmo morrer...
Mas a morte não se afasta e está na dor..."


É triste e ao mesmo tempo tão bonito falar da depressão dessa maneira poética. Que saudades de escrever poesia!


Meu verso preferido com certeza é o último: "Sem forças, me carrego em meus braços!". Não tem ninguém dentro do seu próprio eu para te salvar da Depressão, só você mesmo!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A arte de cuidar do outro!


Eu quero dividir esse vídeo aqui com vocês, a primeira vez que eu o assisti no Facebook, me fez chorar que nem bebê!

Por que é que nós crescemos?

Claro que é a natureza da vida, nascer, crescer, morrer... Mas por que temos de crescer e endurecer nossos sentimentos? Se ainda tivéssemos o coração de uma criança, o mundo seria um lugar muito melhor!

Nosso mundo está doente porque desaprendemos a olhar para os outros! A nos importar, a cuidar para que o outro tenha as mesmas oportunidades...

Espero que essa lição inspire a todos nós, todos os dias! Precisamos fazer desse mundo, do nosso mundo, da nossa casa, um lugar melhor PRA TODOS!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Brasil não é um país alegre!


Nós não temos esperança, nem entre os mais novos, que não tem condições de entrar no mercado de trabalho, que não conseguem se firmar na sociedade, não tem direitos e só muitos deveres, mas também não temos esperanças entre os mais velhos, que, mesmo consolidados em suas profissões, não ganham o suficiente para manter seus lares, para pagar esses impostos absurdos que o governo coloca sobre a população, como se fosse uma sentença de morte!

Nós temos a maior taxa de Depressão da América Latina e ainda relutamos em considerá-la uma doença, mesmo que ela venha tirando vidas ao nosso lado descomunalmente!

Relutamos em admitir que existe um problema e fazemos piada de tudo ao invés de pensar em uma mudança drástica e necessária! A piada nos deixa ainda mais doentes!

A Depressão ainda é encarada em muitos lares como fraqueza, como "falta de louça pra lavar", como ócio, preguiça, falta de garra... Mesmo que diariamente lutemos para mudar essa visão, muitas pessoas ainda são cegas para muitas coisas que só ajudam a disseminar esse preconceito!

O Brasil não é um país alegre! O brasileiro NÃO é um povo alegre!

É um dos países mais perigosos para ser criança, mulher, homossexual, trans... Quem olha de fora e vê "carnaval", não vê a guerrilha que é caminhar pelas ruas, com medo da própria sombra, não vê o que é correr com o coração apertado pela rua da própria casa!

Nós vivemos com medo! Medo de tudo, medo das pessoas, medo do governo, medo da inflação, do desemprego, da intolerância, medo de não ter o que comer, medo de bala perdida, medo de trabalhar todos os dias ao longo da vida e não ter direito nem de morrer em paz! Como dá pra ser feliz assim? Como ser saudável assim?

O Brasil está longe de ser um país alegre... E cada vez mais longe de ser um país!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 6 de agosto de 2017

Fantasma da Depressão


Eu compartilhei esse quadrinho da página Fantasmas e quis escrever sobre isso. Na verdade, no Facebook eu sempre compartilho muitas coisas sobre depressão, principalmente nesses dois últimos anos e eu estou muito feliz conseguindo escrever aqui no blog sobre isso também!

O que me deu vontade de escrever nesse quadrinho é porque é uma situação na qual eu me encontro praticamente todos os dias. Na capa do post passado tinha uma frase dizendo que algumas pessoas com Depressão não conseguem sair da cama e outras conseguem, apesar da doença. Mas vai além dessa dificuldade de sair da cama! A Depressão tira completamente sua vontade de sair de casa!

Muitas vezes, eu quero sair, encontrar meus amigos, me divertir, então eu marco alguma coisa com eles e nesse momento a doença entra em ação! Eu perco a vontade, eu não quero mais me divertir, eu não quero mais ver ninguém, eu não quero sair de casa, eu fico torcendo para que chova, pra que eles desmarquem, pra que aconteça algum imprevisto, eu me pego imaginando desculpas pra não ter de ir... É raro, raríssimo a Depressão te deixar se divertir como uma pessoa que não tem a doença!

Isso não quer dizer que eu não goste mais da companhia deles, que eu não quero mais vê-los, que, quando nenhum imprevisto acontece e eu realmente vou a esse encontro, eu não me divirta. Isso só está ligado a mais um dos sintomas que eu preciso lutar diariamente para não me consumir.

Enquanto eu escrevo esse texto, estou escutando a música "Dark Side", da Kelly Clarkson e eu gosto muito da letra porque ela diz exatamente sobre isso:



"Há um lugar que eu conheço/ Não é muito bonito lá e poucos viram/ Se eu o mostrasse agora/ Ele te faria fugir?/ Ou te faria ficar?/ Mesmo que doa/ Mesmo se eu tentar te afastar/ Você voltará?/ E me lembrará de quem eu realmente sou?"



Eu acho impressionante como, quando a gente para pra procurar um pouquinho, encontra pedaços de sentimentos que estão na gente em músicas que gostamos, em livros que lemos, filmes que assistimos... Cada um lida de uma forma, mas quando tantas pessoas falam sobre os mesmos sintomas em lugares diferentes, de jeitos diferentes, como ainda insistir que Depressão não existe?

Nesse trecho da música que eu destaquei, ela fala sobre "mesmo se eu tentar te afastar", que é exatamente o que eu vim falar hoje, sobre como acabamos afastando os outros por causa da doença e nos deixamos sozinhos, sofrendo ainda mais.

Num outro trecho, ela diz:



"Todo mundo tem um lado negro/ você me ama?/ Pode amar o meu?/ Ninguém é uma imagem perfeita/ Mas nós valemos à pena"




É tão difícil aprender a se amar de novo depois da Depressão, gostar das coisas que fazemos, das qualidades que temos... É tão difícil apreciar os momentos em que conseguimos vencer, conseguimos sair e nos divertir, conseguimos ser positivos...


Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 5 de agosto de 2017

Coletânea de Universos Fantásticos Editora PenDragon


Eu preciso falar um pouco sobre esse livro maravilhoso da Editora PenDragon que também entrou em pré-venda e será lançado na Bienal do Rio de Janeiro (eu já falei demais da Casa das Hostesses Guilty por aqui, vocês vão acabar se cansando de mim *ri*)

"Universos Fantásticos" é uma Coletânea de Contos de todos os autores da PenDragon e está maravilhosa!

Meu conto é, como está aí na capa, Youkai da Destruição, mas todos os contos são incríveis e você não consegue largar o livro do começo ao fim! Eu achei a ideia desse livro maravilhosa e é uma grande honra pra mim estar ao lado dos meus irmãos dragões em mais essa aventura!

Se vocês quiserem saber mais, o Blog Mais QI Nerds fez um post com cada autor falando um pouquinho sobre o seu conto ===> Entrevista

Não deixem escapar essa incrível oportunidade e comprem agora mesmo!

Link para compra ===> Universos Fantásticos

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

Chega de estigmatização!



Antes de continuar escrevendo sobre depressão eu quero deixar claro que tudo o que eu falo é o ponto de vista de uma pessoa que tem depressão e que convive com a doença por 10 anos. É diferente para cada pessoa (assim como eu coloquei aqui como capa!) e eu não sou especialista ou estudiosa para falar com profundidade sobre isso!

O que eu quero passar com esses meus textos é que nós precisamos conversar mais sobre esse assunto, as pessoas com essa doença precisam de ajuda, de apoio e muitas vezes de remédio e isso não tem nada de errado! Não as faz mais fracas do que ninguém!

Se tem uma coisa que me deixa muito brava são pessoas que dizem que é "falta de louça pra lavar"! Quando eu entrei em depressão, eu estava num "ano sabático" nada sabático, como eu costumo dizer. Eu não estava estudando nem trabalhando, mas eu lavava MUITA louça, eu fazia comida, eu buscava meus irmãos na escola, eu estudava pra prestar concurso (que eu passei, mas essa é uma outra história)... Eu entrei na faculdade e ainda fazia muitas dessas coisas no ano seguinte, e isso não diminuiu minha depressão!

Então, vamos parar de falar essa frase infeliz, ok? Depressão NÃO é ócio! Não é falta do que fazer...

Depressão é uma doença como todas as outras e você não escuta ninguém dizendo que alguém pegou gripe porque estava à toa!

 Ao mesmo tempo, Depressão NÃO é como todas as outras doenças... Quando alguém fica doente (eu vou enfatizar: FICA doente!), costumamos falar "pegou, ficou"... Depressão não se contrai, nela se entra, nela se cai!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

Preste atenção aos pequenos detalhes


Como eu falei antes, eu gosto de ser escritora porque eu consigo soar muito mais inteligente escrevendo, não que na maioria das vezes eu não faça as coisas intencionalmente em meus textos, mas algumas vezes saem frases muito boas, ideias muito boas, que só depois da interpretação que eu vejo que disse uma coisa interessante sem querer.

Eu não vou falar sobre esses casos, foi só uma maneira de começas o texto. O que me deu ideia para escrever agora foi uma das lembranças que apareceu no meu Facebook, uma frase que eu escrevi que trata sobre outro período da minha depressão, não aquele do qual eu já falei, que foi o começo, mas um dos momentos em que eu ainda estava lutando pra me manter inteira.

A frase que me apareceu foi a seguinte:

"Eu percebi o quão horrível sou como pessoa... Eu caminho de costas para o futuro, não porque eu tenho medo dele, mas pra apagar minhas próprias pegadas e garantir que ninguém encontre onde eu estou..."  (04 de agosto de 2015)

Não faz tanto tempo assim, né? E sabe o que me fez começar a escrever sobre essa frase aqui? Ela estava no meu mural do Facebook, pessoas curtiram essa frase, mas ninguém me perguntou se eu estava bem.

Ok! Eu não vou ser injusta aqui, algumas pessoas, as mais próximas, com quem eu já tinha conversado sobre minha doença nessa época, sempre que eu escrevo alguma coisa assim, me perguntam se aconteceu alguma coisa, se eu estou bem. Mas eu falo de todas as pessoas no geral, que costumam não perceber os mínimos sintomas da depressão nas pessoas a sua volta. Às vezes, você conhece alguém que tem a doença e, mesmo que você realmente se importe com ela, você não vê a verdade por trás das palavras e ações.

De repente, um amigo seu anda muito calado, não sai mais com você, anda "sumido" das redes sociais e você julga que ele está só muito ocupado. Às vezes, você lê uma frase triste, que uma amiga sua compartilha de um poema ou de uma música e você só continua olhando todas as atualizações das muitas outras pessoas que você tem adicionado...

Eu sei que o fato de ser escritora confunde muito as pessoas. Às vezes, eu escrevo uma coisa assim no Facebook e nem é como eu estou me sentindo, mas sobre alguma coisa que eu estou escrevendo. Já tem um texto aqui no blog sobre o quanto é difícil conviver com um escritor. É difícil separá-lo da própria obra, eu também tenho essa mesma dificuldade. Por isso que quando eu termino de escrever alguma coisa nova, meu processo de luto é tão doloroso; por isso que, quando estou muito concentrada num texto, num livro, eu sinto todas aquelas coisas de que eu falo... Escritores são a própria arte e, mesmo que eu não esteja sentindo, eu estou. É confuso, eu sei.

Todas as emoções num livro não seriam tão fortes e tão vivas na hora da leitura se o escritor não as conhecesse! Escrever é a arte de despertar emoções com palavras e é um tanto delicado fazer isso sem cometer erros terríveis!

No momento, eu não me lembro mais porque me julgava uma pessoa horrível, não me lembro mais porque não queria ser encontrada pelas outras pessoas. Mas eu me lembro de sentir tudo isso, de me sufocar nesse sentimento de querer me perder ainda mais dentro de mim e dá pra ver nessa frase que não estava bem.

Mas o mais importante de ela estar aberta as outras pessoas é que eu queria ajuda, queria que percebessem que eu não estava bem, queria ser salva de mim mesma! Eu estava começando a ficar pronta para falar a respeito da minha depressão; ainda assim, demorou dois anos para que eu começasse a falar sobre isso!

Vejo vocês na próxima
Déborah Felipe

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Como assim Guilty é um livro sobre Depressão?


No meu último texto, eu falei sobre o fato de que "A Casa das Hostesses Guilty" tratar sobre depressão e eu quero explicar isso um pouco melhor.

Eu também disse que foi com meu processo criativo de escrita que eu comecei a melhorar da minha depressão e foi mais ou menos nesse mesmo período que eu escrevi os dois primeiros livros da série, ou seja, a depressão está bem ali, no meio da história, mas ela está da mesma maneira que estava em mim, mascarada, rondando na escuridão.

Em momento algum do livro eu paro a narrativa, puxo uma cadeira e olho para o leitor dizendo "ok! Hora de conversarmos sobre Depressão". É um romance, não tinha nem como eu fazer uma coisa assim. Acho que se eu colocasse algum personagem falando sobre o assunto, talvez parecesse muito forçado. Eu não sei.

Guilty tem essa tonalidade azul na capa porque ela representa a depressão. Pra quem não leu o primeiro livro, eu não vou soltar nenhum spoiler, mas aconteceram coisas que não vão embora da cabeça de uma pessoa sem deixar muitas marcas.

Esse é um ponto interessante para se abordar. Todos nós somos seres marcados por nossas vidas! Essas marcas podem ser profundas ou não, mas nós sempre as temos! E por essas marcas, essas "frestas" em nossa estrutura, que a doença entra e se instala em nosso ser.

No primeiro livro da Casa das Hostesses, o protagonista Souji passa por uma situação muito delicada e dolorosa e no final do livro já é possível perceber que ele não é mais o mesmo que no começo. No começo (e eu vou falar aqui porque todo mundo pode encontrar a degustação do começo dos dois livros no Wattpad), ele já está mal porque descobre que sua noiva o traía com seu próprio pai, mas no final, Souji está muito pior do que quando vai até A Casa das Hostesses pela primeira vez.

Em Guilty, ele terá de lidar com esses mesmos sentimentos de não se achar bom o bastante, se afastar dos outros, aceitar as situações, por menos que as queira. Essa foi a maneira que eu encontrei de abordar a depressão no livro.

O mais interessante no enredo é que Souji é o personagem óbvio para diagnosticarmos a depressão, mas ele não é o único! Eu não vou explorar muito isso, porque ai sim seria um spoiler, mas essa é uma coisa a se prestar atenção na leitura. Quais dos outros personagens também estão emocionalmente abalados? Ou seria melhor dizer: será que tem alguém ali que não está?

Eu realmente gosto muito de ter colocado essas nuances no livro e eu gosto de escrever exatamente porque eu pareço muito mais inteligente quando faço coisas assim (ri) e espero realmente que eu possa colocar mais pessoas para pensar sobre depressão com o livro e com as muitas vezes que eu vou tentar falar sobre isso quando estiver comentando sobre ele!

Vejo vocês na próxima!
Déborah Felipe

Uma vida só minha


Eu já falei subjetivamente nos meus textos sobre poesias aqui, mas a partir daqui eu quero falar sério. Eu tenho depressão e agora eu acho que está controlada, mas sempre existem os períodos mais escuros, quando eu não tenho vontade de levantar da cama, quando eu não tenho vontade de viver mais...

Eu decidi falar mais sobre isso agora porque, primeiro, eu não tenho mais tanto medo de admitir que tenho a doença e segundo, porque eu acabei de escutar uma música da KatyPerry, "By the Grace of God" que é exatamente sobre isso e ela começa a música falando que tinha 27 anos, a mesma idade que eu tenho agora e me inspirou. 

Eu vou destacar alguns trechos da música nesse texto, porque eu achei realmente impressionante.


"Pensei que eu não era o suficiente/ Descobri que eu não era tão forte"


Antes de me perceber com a depressão, eu já sabia que existia dentro de mim um monstro que ficava cada vez mais forte e esse monstro sussurrava coisas no meu ouvido. Eu tinha 18 anos, tinha acabado de sair do Ensino Médio, não conseguira entrar no curso que eu queria fazer de faculdade, porque nós não tínhamos dinheiro pra pagar. Eu não me lembro se já existia esses financiamentos, mas eu não fui atrás, não porque a minha vontade não era assim tão forte, mas porque eu não achava que eu era boa o suficiente pra lutar por aquilo. Era o que o monstro já sussurrava em meu ouvido, repetidamente.

Como não consegui entrar no curso que eu queria, fiquei o ano seguinte ao final do Ensino Médio sem estudar, tentando colocar as peças de dentro de mim no lugar mais uma vez, descobrir o que eu queria fazer. Nessa época, eu tentava ao máximo calar as vozes que gritavam que eu não era boa o bastante pra nada e isso consumia toda a minha energia. Eu não era tão forte. Eu mal tinha deixado de ser criança...


"Nós estávamos vivendo em uma linha de falha/ E eu senti que a falha era toda minha"



Minha família também passava por um momento bem difícil (minha mãe estava trabalhando à noite, longe de casa, chegava muito tarde) e eu acho que foi nesse período também que a ansiedade do meu irmão se desenvolveu. Minha depressão e a ansiedade dele batiam de frente todos os dias e a casa sofria muito; apesar de ser mais velha, eu não conseguia pensar com clareza e ser o "adulto" da situação. Eu não queria crescer...


Foi o período em que eu me senti mais perdida e isso me fazia sofrer tanto que eu chorava até dormir todas as noites e pensar doía! Aquela angústia começou a se transformar numa dor física e eu não sabia explicar o que estava acontecendo comigo.


"Não aguentava mais"



Como um dominó empurrando um ao outro como um efeito cascata, de repente só tinha um pensamento em minha cabeça: eu quero morrer! E foi um efeito cascata de verdade porque eu me via planejando como eu faria, eu pensava nas maneiras de tirar a minha própria vida, eu não aguentava mais aquela dor.


Esse é o ponto principal da depressão! A dor chega a ser tão intensa e você se vê tão sem saída que a única saída é morrer... Você não consegue pensar em mais nada. Você não consegue pensar na dor que isso vai causar aos outros, você não pensa nas pessoas que vão te encontrar... Eu comecei a pensar nessa parte, nas pessoas que vão te encontrar, depois de ter assistido ao último episódio do seriado "Os 13 Porquês", que fala sobre suicídio.

Pra que não sabe, o seriado é baseado no livro de mesmo nome e conta a história de Hannah Baker, uma garota que mais do que a protagonista é a narradora. E ela está narrando a sua história justificando porque ela se matou. Ela deixou 13 fitas gravadas com sua história, mas a cena de sua morte é narrada por Craig, que também é quem acompanhamos ouvindo as fitas de Hannah. Na cena, o que mais me impressionou foi quando os pais dela chegam em casa e a encontram, é uma cena muito difícil de se ver! Eu não achava que fosse mexer comigo daquele jeito, porque você acaba se colocando no lugar daquela mãe, que acabou de perder a sua menininha, e não quer aceitar que ela não pode fazer nada.

Mas essa realização só me veio quase 10 anos depois que esses mesmos pensamentos estavam em minha cabeça. Naquela época, eu só queria muito que a dor fosse embora, que a voz se calasse.

Eu não gostava de mim! Eu não era boa o bastante e isso foi um problema. Porque, por mais que eu precisasse de tempo pra me curar, pra colocar a cabeça em ordem, pra encontrar um caminho, a doença não apenas me atrasava mais do que normalmente, mas a vida não queria mais esperar que eu estivesse pronta.

Foi nessas condições que eu fui cursar Letras. Eu fui pra esse curso porque minha mãe fez Letras, porque eu era boa em redação e principalmente porque eu era (e ainda sou) péssima em matemática. Mas eu não tinha conseguido pensar num caminho novo por mim mesma e esse era um caminho que deixava minha mãe feliz e tranquila. Meu maior problema é que Letras é TOTALMENTE focado em dar aula e, como filha de professora e uma pessoa com crises de ansiedade ao falar em público, eu abomino a ideia de ser professora! Sempre, desde criança, eu sempre disse que nunca seria professora, em hipótese alguma... Mas me vi sem saída.

O que acabou acontecendo é que eu fui conseguindo dominar melhor a minha doença e algumas pessoas podem pensar que eu estava melhorando porque não estava mais ociosa, outras podem pensar que era porque eu estava dando um curso a minha vida ou que Letras realmente estava me ajudando. Mas nenhuma dessas respostas é a certa.

Na época em que eu entrei na faculdade, eu ainda estava tão doente que ver outras pessoas da minha idade com vidas próprias, trabalho, namorado, amigos, era muito difícil e eu me sentia sangrando por dentro por isso. Eu queria uma vida também, mas eu nunca fui boa em conseguir uma.

O que realmente começou a me curar e isso vai parecer piegas de dizer, mas eu estou sendo completamente honesta aqui, foi a banda japonesa the GazettE! Não porque misteriosamente eles apareceram na minha porta e me disseram as palavras reconfortantes que eu precisava ouvir, ou só porque suas letras e melodias falavam direto ao meu coração (essa é parte da verdade). Não, o que aconteceu foi que eles despertaram em mim o que eu realmente era boa pra fazer! Por causa do the GazettE, eu entrei no meu maior processo criativo de escrita como nunca tinha entrado!

Foi quando eu comecei a escrever sem parar fanfics do the GazettE pra postar no Nyah! Fanfiction que eu me senti mais forte pra lutar contra a depressão e isso foi tão importante que até hoje eu me pego escrevendo, não importa o que seja, pra não cair de novo naquele abismo!

Muitas das minhas poesias falam sobre esse meu sentimento de estar perdida, não ser boa, não merecer a felicidade e "A Casa das Hostesses Guilty", meu novo livro que será lançado agora em setembro de 2017 também fala de depressão.

Eu me sinto mais forte, mas a depressão é uma doença que nunca vai realmente embora. Ela fica escondida, numa das partes da "casa", talvez um sótão, um porão, dentro de um armário, esperando o momento de fraqueza pra te lembrar que ela ainda mora ali. Mas eu me sinto realmente mais forte e foram precisos 10 anos pra que isso acontecesse, é um processo lento e doloroso de verdade, um caminho cheio de espinhos, cheio de buracos...

E eu quero falar mais sobre esse assunto por aqui, ainda é um assunto muito cheio de polêmica e preconceito que precisa ser debatido várias e várias vezes mais!

Espero ser capaz de conseguir! Desejem-me sorte!
Até a próxima!

Déborah Felipe