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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Aperte minha mão


Ficou muito pequeno pra ler o texto e se aumentasse ainda mais a capa ia ficar ruim, então eu vou transcrever aqui:
Primeiro quadrinho - Eu posso não saber o que você está sentindo.
Segundo quadrinho - Posso não saber a solução do seu problema.
Terceiro quadrinho - Mas eu vou estar aqui se você precisar de mim.

Só de ler isso, meu olho já se encheu de lágrimas.

É triste pensar que muitas pessoas precisam só disso e nem isso elas tem! Você não quer alguém pra solucionar seus problemas, enfrentar seus demônios, salvar seu pescoço... Você só quer alguém que olhe bem no fundo dos seus olhos e perceba que você não está bem, que você chorou até dormir, que você não tem comido direito, que não importa quantas vezes você "sorria" e diga que está tudo bem, não tem nada bem!

Você não precisa de alguém pra te dizer que tudo vai ficar bem, você precisa de alguém que diga "não importa o que aconteça, eu estarei aqui"!

Você não precisa de alguém que extraia de você, como num interrogatório, o que está te incomodando, às vezes, você nem sabe. O que você precisa é alguém que se sente ao seu lado e fique em silêncio, só pra que você saiba que não está sozinho!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Abandono


Acho que o sentimento de abandono é tão intenso em pessoas com Depressão quanto o de solidão em si. As duas ideias podem parecer ser a mesma coisa, mas não são, porque muitas vezes nos sentimos sozinhos quando outras pessoas estão a nossa volta, mas quando nos sentimos abandonados é outra coisa.

A poesia de hoje também é de antes da Escuridão aparecer escancarada, ela ainda brincava em suas sombras com meus sentimentos esmigalhados.

Poesia do dia 16 de abril de 2008 (quarta-feira)

Abandono

O meu choro desesperado,

O choro de criança perdida.
A dor do corpo machucado,
Da inocência sem vida...

Eu quero de volta a Liberdade,
De volta os dias ensolarados...
Sobreviver a toda realidade
É tão ruim quanto meus pecados...

Não estou pronta pra seguir,
Mas parar é quase como morrer...
Como eu posso continuar a fingir,
Se não teve importância meu querer?

Eu sou o elo fraco da corrente,
Imaturo, amargurado e sensível.
Sangrando o coração, a dor que sente,
Se acorrenta no silêncio, intangível.


Apesar da Escuridão não está dita aí, ela vem na imagem da falta dos "dias ensolarados", mas acho que o caracteriza completamente essa poesia como cinzenta é a última estrofe: "Eu sou o elo fraco da corrente/ imaturo, amargurado e sensível/ sangrando o coração, a dor que sente,/ se acorrenta no silêncio, intangível".

É interessante que eu tenha usado sensível e não insensível, não é? A doença te faz sentir muito tudo o que é ruim, por isso dói tanto, por isso se quer morrer.

Lembra que eu falei sobre manter meus monstros dentro de mim? Quando eu contei a história do pássaro sem asas? "Se acorrenta no silêncio, intangível". Cada pedaço vai montando aos poucos o quadro todo.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 29 de agosto de 2017

CURRÍCULO DO AUTOR


1. Nome de Autor: Os meus livros ficaram com o meu nome mesmo, mas eu costumava assinar como Sereny Kyle, no Nyah! Fanfiction.

2. É seu nome real? O nome real é Déborah Felipe e eu tive de me reacostumar a responder por ele.

3. Idade: 27 anos

4. Onde vive? Estou sempre na Casa das Hostesses, se quiser me encontrar.

5. Todo autor antes é um leitor, como surgiu o seu gosto pela leitura? O gosto por ler começou em casa, com histórias em quadrinhos e livros de fábulas e a minha escola também teve um papel muito importante pra que eu me apaixonasse completamente pelos livros e nunca mais conseguisse viver sem eles.

6. Como começou a escrever? Comecei a escrever fanfics de Harry Potter e depois da minha banda preferida, o the GazettE.

7. Autores que inspiram a sua escrita: Pedro Bandeira foi uma grande influência quando eu comecei a escrever, depois veio a J. K. Rowling, Oscar Wilde, Stephen King...

8. Tem muito bloqueio criativo? Tenho, parece até que eu não consigo respirar quando acontece!

9. Faz algum ritual quando vai escrever? Eu preciso esquematizar muito bem o que eu vou escrever antes, estruturar toda a ideia, a história, os capítulos, só então eu começo realmente.

10. Você escreve rápido? Sim e ainda bem!

11. Como nasceu a ideia do seu primeiro romance? Meu primeiro romance não foi A Casa das Hostesses, que é meu livro com a Editora PenDragon, o primeiro livro que eu escrevi nunca foi publicado, porque eu ainda tenho que arrumar muitas coisas da história, mas nasceu da ideia de quatro adolescentes encontrando Canetas com poderes mágicos e um vilão que era professor de História!

12. Seu gênero favorito para escrever? Romance.

13. Seu gênero favorito para ler? Fantasia.

14. Tipo de heroína favorita?  As que parecem rais, que você poderia esbarrar com ela na rua.

15. Tipo de herói favorito? Mesma coisa que as heroínas.

16. O que não falta nos seus romances? Reviravoltas! Adoro fazer o leitor acreditar que eu vou seguir um caminho e acabar num lugar completamente diferente do que era esperado!

17. Seu personagem masculino favorito:  Meu mesmo ou de outro autor? Bom, como eu nunca vou saber escolher entre os meus, vou dizer o Crânio, gênio dos Karas, do Pedro Bandeira. Eu não só gostaria de ter escritor ele, como eu gostaria MUITO de ser ele!

18. Sua personagem feminina favorita: Não é de livro, mas eu não acho que alguém vai dizer que a Princesa Leia não conta!

19. Se pudesse voltar ao passado e dar uma dica pra você mesmo quando começou a escrever, o que diria? Acredite mais em si mesma do que nos outros!

20. Seu trecho de livro favorito: "Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais o menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo". Dom Casmurro - Machado de Assis.

21. Sua capa favorita: Tem várias que eu acho lindas, é lógico, mas eu vou falar de uma que é mais do que especial e que não é nenhuma das minhas, que é a capa da Droga da Obediência, do Pedro Bandeira, que me fez escrever minha primeira carta pra ele!

Espero que tenham gostado e eu vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

A Casa das Hostesses Guilty já está chegando!


Olha só que coisa linda que eu recebi de uma leitora que comprou os dois livros da Casa das Hostesses durante essa pré-venda de Guilty, com o desconto especial da Loja da Editora PenDragon, e já recebeu em casa!

Ponto bônus por estar assistindo um vídeo do meu querido Pedro Bandeira!

Não perca tempo, a pré-venda já está acabando! O lançamento do livro é dia 10/09, durante a Bienal do Rio!

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As hostesses podem cuidar de você!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Hipnose


A poesia de hoje é um pouco diferente das demais, nós já estamos chegando numa fase que era bem o começo da minha Depressão e eu ainda não tinha conseguido encontrar todas as palavras que a representariam. A Escuridão, sempre presente nas poesias cinzentas, ainda não está destacada aqui, apesar de já estar quase dita e é por isso que eu resolvi reanalisar ela!

Poesia do dia 16 de abril de 2008 (quarta-feira)

Hipnose

Vem me prender em suas ilusões

E fazer valer à pena meu viver.
Que eu já cansei de todas as sensações
Que o mundo lá fora pode trazer.

Vem mostrar o que é felicidade,
O que o mundo é incapaz de me dar.
O que supre toda a minha vaidade
E me acorrenta a esse seu olhar.

O seu oculto silêncio aventureiro
Pelo qual eu quero tudo abandonar.
Pra que eu me prenderia a esse nevoeiro
Com todo esse charme a me instigar?

Eu já estou perdida pra este mundo
E nele não há nada pelo que ficar...
Meu desgosto é simplesmente tão profundo
Que não há mais laços que eu precise desatar...


A principal característica que a liga as demais poesias sobre Depressão com certeza estão nessa última estrofe e existe uma coisa muito perturbadora, apesar de não ser totalmente sobre a Morte, nesse "charme" que instiga o desejo de não estar mais nesse mundo e que faça com que não exista mais laços nele para serem desatados.

Eu espero que todas essas análises estejam sendo interessantes, eu acho que é muito importante discutir esse assunto e tirar as dúvidas sobre o que eu estava realmente falando nessas poesias. Poesias são palavras da alma e olha como uma alma pode se mostrar machucada!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 27 de agosto de 2017

O Peso das Palavras


Eu já estou há m tempo pensando em como escrever o texto de hoje, porque eu já falei sobre a voz de dentro da nossa cabeça, mas existe outra voz que às vezes (quase sempre) não é bom de escutar: a dos outros!

Nossas palavras tem um peso enorme e podem causar um sofrimento muito grande com a mesma facilidade que podem acalentar um coração!

Eu gosto muito da frase da capa de hoje "Todas as pessoas que você encontrar estarão lutando uma guerra da qual você não sabe nada sobre. Então, seja gentil. Sempre" porque essa é uma verdade que parece que não enxergamos mais!

Isso não vale apenas para pessoas com Depressão! Essa é uma regra de ouro pra toda e qualquer situação. Muitas vezes, nós tivemos dias ruins e descontamos nos outros sem pensar ou sem perceber, sem considerar que aquela pessoa, culpada ou não pelo seu dia ruim, também pode estar num dia difícil ou pior!

Isso me coloca pra pensar que alguma coisa com certeza nos tornou muito mais egoístas e insensíveis para não pensarmos no que nossas palavras podem causar ao outro! Eu sempre tive em mente que, se você não tem algo bom pra dizer, nem algo útil, fique em silêncio! O silêncio vale ouro, não vale?

Mas eu me deparo muitas vezes com situações que se mostram o contrário desse meu pensamento e as pessoas dizem o que querem, sem pensar nas consequências, doa a quem doer! O que há de errado em pensar no outro de vez em quando? Isso não é nem pensamento religioso, é humanidade!

E eu sempre caio na conclusão de que a humanidade vai de mal a pior...

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 26 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Morte


Como eu disse na última poesia que eu coloquei aqui, eu realmente não estava escondendo tão bem quanto eu pensei minha Depressão e os desejos de morrer que eu tinha nessa época e isso fica evidente na poesia de hoje, chamada Morte.

Poesia do dia 26 de junho de 2008 (quinta-feira)

Morte

Doce névoa tão silenciosa,
Que o amargo brilho vem roubar.
Satisfeita com a magia culposa,
Que fez o meu feitiço se quebrar.

O desejo de o descanso retornar
Foi embora sem se despedir.
Para todo sentimento transformar
Sem deixar vestígio do sentir...

Eu já escrevi palavras belas,
Já lutei pelas noites sem luar,
Por brilhos perdidos de estrelas,
Por cavaleiros errantes a criar...

O Tempo, inimigo do pecado,
Da rosa da manhã tenta esperar
A cura da esperança neste fado
Que permite a alma transbordar.

Os olhos do abismo infinito,
Algemas do cárcere profano,
Consegue matar esse espírito,
Com torturas de um demônio insano.

Doce perfume que denuncia a morte,
Inimigo que não pode se vencer,
Que no mundo deixa a nossa sorte,
Enforcados no destino de viver...

"Enforcados no destino de viver". Esse verso explica melhor do que todos os textos que eu já coloquei aqui sobre a Depressão porque é que ela acaba nos conduzindo ao desejo de Morte. Conviver com a doença é muito difícil, muito doloroso e só o que se quer é que a dor passe. Viver é o problema e por isso mesmo que muitas pessoas pensam em morrer. Não necessariamente todos vão até o fim, como eu por exemplo, mas um número muito grande vai! E não dá mais pra viver sem pensar o que poderia ser dessas pessoas se elas tivessem tido ajuda!

Eu falei no texto original do Poetry Time que eu tinha colocado nessa poesia o verdadeiro duelo que causava todo esse tormento, que é entre a Rosa da Manhã, que representa a infância, e o Tempo, que não espera por ninguém e que, por mais que cure muitas das nossas feridas, também causa grande parte delas!

No post eu também falei uma coisa que, só porque eu não usei o termo "Depressão", eu realmente acreditei que não estava falando sobre isso. O trecho é o seguinte, sobre a penúltima estrofe:

"Eu gosto muito do verso "Os olhos do abismo infinito" porque ele tem uma relação com a frase de Nietzsche: "Quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha pra você". É aquele momento em que dentro de você só existe escuridão e você acaba descobrindo o que há de pior em você..."

Como eu sempre digo, a Escuridão é a doença e ela usa o que há de pior em você pra te torturar!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Se puder, não escute essa voz!



É triste que nós sejamos criados para sempre ouvir a voz da nossa consciência, como o Grilo Falante da história do Pinóquio, porque ela sempre tenta nos dizer o que é certo e errado, o que devemos ou não fazer, qual conduta seguir e, de repente, a Depressão assume esse papel, abafa a voz da consciência e diz coisas dentro da nossa cabeça que não tem relação alguma com certo e errado ou conduta...

Eu não sei explicar como funciona, mas a voz da consciência ainda está ali e é por isso mesmo que a doença consegue nos enganar, ela é ventríloqua, ela sabe o que dizer, como dizer, quando atacar.

A nossa principal inimiga durante as crises que a Depressão gera é a nossa própria mente! O lugar onde deveríamos nos sentir mais seguros se torna opressor!

É um dos piores sentimentos que a doença causa, você se sente excluído, tem sempre aquela desconfiança de que as pessoas estão falando de você pelas suas costas, que estão zangados ou desapontados com você e é uma dor sem fim. É uma dor tão forte que você quer se causar ainda mais dor, porque você se sente culpado de tudo aquilo que está pensando e, quanto mais dor você se sente, menos motivos pra lutar e viver você tem.

Eu acho que esse é um dos principais motivos pelos quais nós precisamos conversar muito sobre Depressão! Para poder ajudar alguém que você conhece com a doença é bom que você entenda o que provavelmente está na cabeça dela quando ela se fecha e não quer a sua ajuda. Ela pode não querer, mas ela precisa! E é muito difícil de lidar com essa situação porque você vai acabar sendo machucado também por ela, por esse "desprezo" pela sua ajuda, por tantas vezes que você será fechado pra fora do "quarto" e essa pessoa preferir ficar sozinha, longe de você. É muito difícil continuar e não desistir daquela pessoa!

Por isso a Depressão é uma doença da Solidão! E por isso mesmo que ninguém vence sozinho!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Metamorfose


Como eu já disse por aqui, nessas minhas poesias cinzentas eu usei a metáfora da "metamorfose" de uma maneira diferente porque eu realmente fui mudada pela doença, mas isso não me causou coisas boas, não foi libertador e a poesia de hoje é sobre isso!

Poesia do dia 25 de julho de 2008 (sexta-feira)

Metamorfose

Eu estou caindo, caindo, mudando...

Quero me perder pra conseguir me encontrar.
Corrente por corrente, estou me libertando,
São as piores experiências que nos fazem melhorar.

Eu já não tenho mais asas, mais suporte,
Não tenho forças, nem no que acreditar.
Sozinha, já não sou mais assim tão forte,
Mas os caminhos se perdem sem nos avisar.

As nuvens negras já passaram e o que restou?
Resta ainda a dor que me causaram,
As perdas e os sonhos que me roubou,
Sem saber, desamparada, me arrasaram.

O sol de um novo dia perde o brilho da esperança
Aos olhos desencorajados do meu sofrimento.
Calada, choro as chagas, sem confiança
Sem jamais reclamar o meu contentamento.

Doce boneca, como aguentar a vida inexistente?
Como aguentar tanta angústia, tanta Escuridão?
A luz que eu busco é um reflexo aparente
De sonhos que padecem na minha ilusão.

A minha fragilidade tem que ser calada
Porque ninguém entende o que eu sinto.
Não é suficiente ouvir que toda queda será superada
E é só pra não ouvir isso que eu minto...

Eu coloquei nessa poesia tudo o que eu representava da minha Depressão, a criança sem as asas da infância, a Escuridão como a própria doença, sempre presente, os sonhos se perdendo em ilusão, a falta de entendimento do que eu sentia.

No texto do Poetry Time, eu falei sobre a "doce boneca" do primeiro verso da penúltima estrofe, "que tanto pode ser atribuída as remanescências da infância, quanto a si mesma, uma criatura de sorriso pintado e peito vazio". Na época eu disse "o eu-lírico". É interessante voltar aos textos e ver quanto eu estava fugindo do assunto, quanto eu estava escondendo e esse é o principal motivo de estar escrevendo tudo isso de novo. De quem eu estava escondendo? As poesias eram todas sobre Depressão e eu só tentava camuflar o que eu não queria ver.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Escritora que tentou me curar



A gente sempre escuta que escritores são criaturas feitas da própria arte, quase inexistentes no mundo real, feitos de sonhos e tinta, encarcerados por seus próprios talentos e insatisfeitos com a realidade. Eu vou desmentir um pouco toda essa história.

É claro que, nós temos vários exemplos de escritores que sucumbiram (essa é sim a melhor palavra que eu encontrei para explicar a sensação) aos próprios mundos fantasiosos e se entregaram a vícios que terminaram com suas vidas e genialidades, mas, como eu já disse aqui nesses textos sobre minha Depressão, foi minha arte que conseguiu me salvar.

Eu vou começar a história outra vez (perdoem essa pobre contadora de histórias que não sabe fazer outra coisa se não alongar mais e mais seus relatos!), de uma maneira diferente agora.

Quando eu comecei a escrever sem parar no Nyah! Fanfiction e melhorar da minha Depressão, eu inventei a Sereny e uma das coisas que eu mais respondi nesses últimos 9 anos no site é: qual a diferença entre a Sereny e a Déborah?

Por muito tempo, essa foi uma pergunta que eu achava muito complicada de explicar, mas agora eu vejo o quanto ela é simples! A Déborah (a de antes, não essa que vos fala!) era uma menina sozinha e triste, mesmo antes de ter a doença e eu acho que ela era triste por dois motivos principalmente: o primeiro motivo é que ela tinha dentro de si tanta dessa arte que ainda não estava sendo colocada pra fora que a consumia por dentro; e o segundo é que, como ela escrevia mais poesias, era como se essa arte expressada a mantivesse nesse estado de tristeza permanente, com medo que a inspiração fosse embora (o que, tecnicamente aconteceu, já que eu não sou capaz de escrever mais nenhuma poesia, mas ela não foi embora, ela só mudou de forma).

A Déborah, antes da Sereny, era uma poetiza compenetrada e desatenta, porque ainda não tinha percebido o que escrever era pra ela. Foi nessa pessoa que a Depressão começou a tomar conta e a transformou em outra, a transformou no "monstro devorador de sonhos", como eu já disse há alguns textos.

Dessa Déborah que entrou em Depressão e pensou várias vezes em se matar, nasceu a Sereny, ela veio da inspiração nova, veio da vontade de lutar e viver. A Sereny é a escritora e, nos primeiros anos de Nyah! era completamente fácil diferenciar as duas, a Déborah era a menina triste, a Sereny era a escritora que queria me salvar! Elas era duas pessoas diferentes e eu até dizia várias vezes que era estranho ouvir alguém me chamando de "Déborah", porque eu era menos ela do que era Sereny!

Eu já fiz um texto falando sobre o nascimento da Sereny, não sei se eu falei de novo no Cause I'm a Writer (provavelmente), mas eu me lembro de ter escrito sobre ela no "Lembra quando sexta-feira era Dia do Brinquedo?" (que é uma série de textos que eu quero relançar eventualmente). Até então, como eu não dizia abertamente sobre a doença, eu nunca falei sobre como ela foi importante pra me curar, mas ela foi. Ela é! Ela sempre esta pronta pra me segurar quando os dias ficam difíceis e eu não lembro mais pelo que lutar.

Tem um trecho do texto que eu fiz sobre ela do "Dia do Brinquedo" que eu vou transcrever aqui, pra mostrar como meu eu de 2012, aquele eu ainda se curando, falava sobre ela:


"Sereny fez de mim mais forte, mais sonhadora, mas viva... O mais intrigante hoje é que já não consigo desvincular Sereny do the GazettE, da assistente pessoal, das Gazegirls... Mas ela não nasceu ligada ao Japão... Nasceu das minhas bruxarias... Do amor que eu sempre tive pelo impossível... Porque dentro de mim ela sempre existiu...
Eu sempre termino esses textos de sexta com alguma reflexão... Pro aniversário da Sereny, vou colocar ma frase que explica sua existência: 'A Ny-chan é como aquelas pessoas que pulam de um avião sem paraquedas, sonhando em voar ou torcendo pro chão não estar longe demais e ela não se quebrar tanto assim' (21 de setembro de 2012)"


Ela foi bem sucedida em todas as missões em que se meteu, ela soube me ajudar, me curar, escrever e me inspirar! Ela me guiou e me fez gostar de mim mesma outra vez!

Todo ano, no dia 19 de setembro, que é o aniversário de quando eu fiz minha conta no Nyah!, mesmo que eu não tenha escrito nada o ano inteiro, eu posto uma história nova, pra celebrá-la! A do ano passado eu também coloquei aqui no blog e é sobre isso, sobre uma conversa entre nós duas, chamada "Paradoxo". E eu digo agora "nós duas" porque esse é o fim da história. Agora, quando me perguntam "qual a diferença entre a Déborah e a Sereny?" eu posso responder que, mesmo que por muitos anos tenha existido várias, hoje elas são a mesma pessoa! A Déborah agora é a escritora, mesmo que ainda seja um pouco triste e doente, escrever é a sua felicidade, é o que a mantem viva!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Soneto da Liberdade



A poesia de hoje, como eu já falei quando ela foi para o Poetry Time, fala sobre um dos meus mitos Gregos preferidos que é o de Ícaro. É triste pensar que eu gosto dele, mas a metáfora é tão perfeita que não tem como não gostar, é uma metáfora sobre Liberdade e sobre Sonhar!

Pra quem não conhece o mito, ele é mais ou menos assim: Dédalo era um grande inventor ateniense e foi quem criou o Labirinto do Minotauro, a pedido do rei Minos. Quando Teseu venceu o monstro e saiu do Labirinto, Minos culpou Dédalo por toda a desgraça e aprisionou o inventor e seu filho, Ícaro.

Juntando as penas das aves, Dédalo construiu asas para que os dois saíssem de lá. Ele alertou Ícaro para que não voasse nem tão baixo, perto do mar, nem tão alto, perto do sol. Mas Ícaro se deslumbrou durante o voo e não seguiu a orientação de seu pai, voando alto e o Sol derreteu a cera que mantinha as penas das asas coladas, fazendo-o cair para a morte.

É uma história muito triste de verdade, fala sobre sonhar alto e sobre como as coisas podem não sair como você espera.

Poesia do dia 25 de julho de 2008 (sexta-feira)

Soneto da Liberdade

Anseia pelo céu, toda criatura que só conhece o chão

E eu sonho em partir minhas correntes e voar...
Toda leveza que o pensamento precisa encontrar
Há muito, vem ecoando no meu coração...

Eu temo menos cair com as frágeis asas da ilusão
Porque cair é um preço pequeno a se pagar...
Pequeno demais perto de tudo do que quero me libertar,
Pequeno demais perto de toda minha solidão...

A cela que inquieta minha alma a partir
É o casulo que tenta me enlouquecer,
Que aprisiona meu coração a não sentir.

E sufoca a minha vontade de viver.
Não é por mal que me machuco ao insistir,
Mas fugir é minha única opção pra não morrer.


Eu gosto muito de escrever sonetos, apesar de eles serem tortos e sem métrica (os grandes poetas se revirariam com o que eu chamo de sonetos, eu sinto muito!), mas eu gosto muito mesmo! Acho tão bonito!

Eu quero destacar aqui as duas últimas estrofes, que são o motivo para essa poesia estar aqui revisitada:

"A cela que inquieta minha alma a partir/ É o casulo que tenta me enlouquecer,/ Que aprisiona meu coração a não sentir / E sufoca a minha vontade de viver./ Não é por mal que me machuco ao insistir,/ Mas fugir é minha única opção pra não morrer."

Eu quis colocá-las aqui porque nós sempre vemos a metáfora do "casulo" como algo transformador e libertados, mas, assim como temos no mito de Ícaro, nem tudo que nos liberta pode só nos fazer bem. Esse casulo me aprisiona, me enlouquece, me machuca e vai me matando aos poucos. Esse casulo me mudou de certa forma, mas esse casulo não trouxe só isso consigo.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A escola precisa cuidar melhor de seus alunos!


A escola não é o ambiente agradável que muitas pessoas acreditam. Na verdade, está muito longe disso. E aqui eu estou falando sobre os alunos, mas em vários outros textos meus, eu falo sobre professores e a escola não é um ambiente bom pra eles também.

É triste pensar e ainda pior dizer, mas a escola deixa as pessoas lá dentro doentes. De várias maneiras, assim como por algum tempo foi debatido com o lançamento do seriado no Netflix "Os 13 Porquês". Por algum tempo, eu digo porque agora não se vê mais ninguém falando sobre isso. Além de Hannah, a protagonista que tira a própria vida no seriado, todos aqueles adolescentes estavam doentes, o que eles faziam não estava certo, eles sabiam disso e mesmo assim faziam.

Toda a instituição está doente. As pessoas não se veem mais, as pessoas não se importam mais. Chegamos ao cúmulo de adolescentes, de crianças precisarem de ajuda psicológica por coisas que passaram na escola. Eu estou focando em pessoas até a adolescência, mas faculdades também nos deixam doentes.

E qual seria a nossa saída para essa situação? Bom, quando você está resfriado ou enjoado, o que você faz? Você vai ao médico, certo? Algumas escolas, infelizmente não todas, tem até uma pessoa que, caso algum aluno se machuque ou não se sinta bem, está pronta para fazer os primeiros-socorros. E por que é que nós não temos um profissional dentro das escolas pronto para cuidar do aluno quando o machucado é interno?

Em todas as escolas e universidades do país, de todas as idades, desde os mais novos até os doutores, precisava ter uma equipe de Psicólogos a disposição para que os alunos pudessem recorrer a alguém com quem conversar, com quem se abrir, alguém para ajudá-los. Não Psicólogos que fazem testes vocacionais nos Ensinos Médios, Psicólogos disponíveis para tratamentos semanais e acompanhamento desses alunos.

As escolas precisam ter essa abertura para a Psicologia e ajuda mais seus alunos. Alguns saem da escola com Estresse Pós-Traumático, assim como os soldados na guerra.

Isso não deveria ser considerado normal!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 20 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Uma Razão para Viver


A poesia que vamos revisar hoje fala mais uma vez nas metáforas que eu usei tantas vezes sobre a infância, sobre amadurecer, mas o que eu acho mais interessante nela é que ela se chama "Uma Razão para Viver" e era exatamente o que eu não tinha nessa época.

Poesia do dia 15 de agosto de 2008 (sexta-feira)

Uma Razão para Viver

Nem um raio de sol, só a chuva caindo...

Nada de encontrar a superfície, só submergindo...
Nenhuma saída, apenas escuridão...
Nada mais de concreto, tudo uma ilusão...

A linha tênue do sonho perdido
Limita a visão do ser que chora.
Não há mais ninguém envolvido
Onde a solidão é quem mora.

Vidas por mais que passadas,
Intenções mais que esquecidas,
Palavras não mais repetidas,
Esquecidas e muito cansadas...

Não é problema perder,
Se a perda é lição aprendida.
Ninguém consegue saber
A palavra que quer ser ouvida.

Qualquer intenção é válida
Se a intenção consegue salvar...
Se, no coração a pureza cálida,
Permanecer sem se quebrar.

A lua arrasta um novo dia,
Um dia relutante em nascer.
E os olhos encontram a melodia
De uma nova razão para viver.

A tristeza é inquebrável redoma,
Atada às correntes do juízo
Que a própria cura é sintoma,
Vagar à procura de um sorriso.

Dor da profunda saudade
Quebra o trato com o sofrimento
Para que retorne a felicidade
E acabe esse mar de tormento.


Dá pra perceber que todas essas poesias sempre tem a Escuridão nelas, ela sempre aparece e normalmente é bem na primeira estrofe. Ela controla tudo e, nessa época, ela controlava também a minha escrita, minha inspiração.

"Não há mais ninguém envolvido
Onde a solidão é quem mora."


A Depressão sempre te faz se sentir só e, quanto mais sozinho você fica, mais sozinho quer ficar e acaba afastando a todos!

Ninguém consegue saber
A palavra que quer ser ouvida.


Infelizmente, não existe uma coisa certa a ser dito pra quem está assim, não existe uma cartilha para ajudar aquela pessoa, ela principalmente precisa querer ser ajudada, mas acho que o mais importante é que não se desista dela, mesmo que ela esteja afastando a todos.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 19 de agosto de 2017

Conheça a sua Força!



Com a Depressão não dá pra prever como serão nossos dias...
Às vezes, você acorda e consegue não sentir aquele peso horrível no peito, consegue se levantar quando o despertador toca, se trocar, tomar seu café e sair. Ela até te deixa ser produtivo e fazer tudo aquilo que você tinha planejado, você consegue chegar ao final do dia orgulhoso de si mesmo, sentindo que fez aquele dia valer à pena!

Às vezes, você já acorda cansado, com o coração apertado, desmotivado, desejando que o mundo seja destruído por um meteoro. Se você consegue sair da cama, o dia é longo, exaustivo, sua mente nunca está focada verdadeiramente em nada. Sua lista de coisas pra fazer parece interminável e, no final do dia, você só quer se trancar no seu quarto e fingir que não aconteceu.

Mas também tem dias que parecem que vão ser bons e no final a doença também acaba vencendo... Nesses dias, tudo está normal e você está tendo um dia bom, você consegue se divertir e aproveitar. De repente, todo o seu ânimo te abandona e você simplesmente não sabe o que aconteceu, mas nada parece bom e você não quer mais fazer nada.

Isso é completamente normal! Quando alguma coisa abala seu emocional de alguma forma, a Depressão se aproveita disso e eu não vou falar em termos técnicos de como ela faz isso biologicamente, como eu já disse, eu não sou especialista, tudo o que eu estou dividindo são situações que eu já encarei, já aconteceram comigo nessa árdua convivência com ela.

Dias bons e ruins sempre acontecem, não importa nossa condição, todos nós sempre temos de passar por alguma situação que nos deixa arrasados, que nos dá muita vontade de desistir mesmo. Com a Depressão, coisas normais podem nos deixar assim todos os dias. O importante é saber que você é capaz de passar por tudo isso! Você pode e precisa se dizer isso muitas vezes, mas uma hora você começa ou recomeça a acreditar na sua própria força!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Futuro


Quando eu coloquei essa poesia que vamos revisitar agora no Poetry Time era a mudança de 2014 para 2015 e eu não sabia direito se ela tratava de um sentimento que tinha ido embora ou se ainda estava ali. Eu queria poder pegar em minha mão e me dizer que é um sentimento que ainda está aqui, mas tudo bem! Você vai ficar bem!

Poesia do dia 1º de janeiro de 2009 (quinta-feira)

Futuro

Por quanto tempo ainda vai durar

Toda essa minha solidão?
Essa noite infinda sem luar,
Na estrada escura da ilusão?

Que dor é essa que fere e não existe?
Que traz a espada transpassada pelo peito?
Que condena o coração a ser tão triste?
Que faz qualquer problema não ter jeito?

Essa angústia dilacera sem motivo,
Encarcera a razão inconstante.
Traz no impossível um atrativo
De uma ansiedade tão sem precedente.

Eu busco dolorosamente essas respostas,
Como eu queria esse segredo desvendar...
Pra não errar nesse jogo de apostas
Que é o Futuro a me espreitar...

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, como eu falo tantas vezes nessas minhas novas análises, pode até parecer repetitivo, mas é um fato. Quando a Depressão me pegou eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Eu acreditava que a Depressão era tantas coisas que não conseguia enxergar o que estava bem na minha frente.

O que é essa dor que fere e não existe? Que traz a espada transpassada pelo peito? Que condena o coração a ser tão triste? Que faz qualquer problema não ter jeito? A Depressão!

Uma resposta tão simples e tão dolorosa quanto as perguntas, tão difícil e tão elucidativa! Às vezes, eu me pergunto se eu teria entendido e aceitado mais fácil se tivesse tido alguma ajuda. Muito provavelmente, mas o caminho é tortuoso e diferente para cada um.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Solidão



Imagine que você está sozinho dentro de uma casa. Não é a sua casa. Você não sabe onde estão as outras pessoas e não sabe se já esteve naquele lugar antes, tudo parece desconhecido e sombrio.

Não sombrio "filme de terror", sombrio de frio, de doloroso, de triste...

Você começa a andar por essa casa e tenta descobrir alguma coisa, mas está cada vez mais escuro, parece que o sol está se pondo e não tem energia elétrica nesse lugar, quando estiver noite, será praticamente impossível enxergar alguma coisa.

O lugar também é muito frio e todas as portas estão trancadas, só o que você escuta são os seus próprios passos. Você tenta chamar alguém para te ajudar, mas sua voz sai fraca, nem mesmo você é capaz de se escutar.

Aquele lugar te causa angústia, arrepios, vontade de chorar e a cada novo corredor, tudo parece novo e desconhecido e hostil. Aquela solidão começa a te sufocar, você quer gritar e não tem voz, você quer correr e não tem forças, você quer respirar e lhe falta o ar.

Para piorar, esse lugar, que você não sabe, fica na beirada de um abismo e, dependendo de onde você está pisando, pende mais pra queda ou mais pra terra...

Essa casa é você! Você não é capaz de se reconhecer, você não consegue pedir ajuda, você se sente sozinho e machucado. A Doença te trancou ali dentro e a cada dia você pode cair.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Daybreak



Essa poesia é uma importante, porque no texto já postado aqui no blog eu até falo sobre estar com um problema na época. Eu achava muito que o que me incomodava tanto era que eu não queria crescer (o que não é de todo mentira, crescer é uma coisa muito chata, mas é inevitável), eu não conseguia entender que o que tornava tudo mais difícil era a doença. Eu ainda não tinha aceitado a Depressão e ainda não tinha entendido o que acontecia comigo.

Poesia do dia 31 de março de 2009 (domingo)

Daybreak

Eu já não sou mais o que eu era...

Não existe algo pelo que voltar...
Sou pouco mais que uma quimera,
Um corpo oco por aí a andar...

Eu continuo só porque é preciso,
Não faço nada além de convencer
Que é de verdade meu falso sorriso,
Que eu faço certo ao esperar você...

Estou apostando alto nesse sonho,
Porque já não tenho como suportar
Que ao meu redor é tudo enfadonho,
Bobo e cruel ao me encarar...

Pra que os meios, eu só quero os fins...
Quero que tudo já tenha passado.
Pular todas as fases ruins
E receber só o bom resultado.

É angustiante ainda estar parada.
Por que é tão difícil voltar a viver?
Eu preciso ser logo resgatada,
Já está na hora da vida acontecer...

Eu não me importo de tudo desistir,
Pois não é aqui que eu devia estar.
Se você me ouvisse como eu posso lhe ouvir
Você já saberia onde me encontrar...

Já bastam minhas asas perdidas,
Não quero ter os sonhos quebrados...
Não venham com palavras intrometidas
Que enegrecem meus dias ensolarados.

Eu sinto, pouco a pouco, o dia tendo fim.
A luz da lua está prevalecendo.
O importante agora pra mim
É sonhar com outro amanhecendo...

Eu me refiro a mim mesma como "um corpo oco por aí a andar" e eu não acho que estava tão longe disso, porque eu me sentia vazia e fria por dentro, mais perto da morte do que de ser uma jovem de vinte anos, na faculdade, com todo o futuro pela frente. Eu encarava tudo como se já tivesse de acabar, "eu continuo só porque é preciso"...

Tudo o que eu fazia era sonhar que um dia tudo ia melhorar...

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Depressão não é Movimento Literário


Eu falei no meu texto de ontem sobre a Depressão não ser sobre músicas e poemas tristes e me lembrei desse texto que eu coloquei no meu Instagram há algum tempo. Não é meu, mas é uma coisa muito importante, então eu vou traduzi-lo aqui.

"Podemos parar de agir como se Depressão fosse sobre poemas tristes e músicas românticas? Depressão é estar cansado sem ter feito nada, é não conseguir comer mesmo sem ter comido nada o dia todo, é se sentir culpado por coisas que não são sua culpa, é afastar todos porque você não consegue fazer outra coisa, é nebuloso e estranho e sombrio. Não é 'triste' num bom sentido, não é sobre estar triste o tempo todo. São altos e baixos e é uma tremenda bagunça".

Depressão é se sentir sozinho e abandonado o tempo todo pelas pessoas em quem você confia, é achar que você não merece que ninguém se importe com você, é escutar mais as coisas horríveis que sua mente lhe diz do que qualquer tentativa de ajuda de alguém!

Depressão não é bonito! E não se vence sozinho!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Fusco


Voltando  nas minhas poesias divididas no Poetry Time aqui do blog, eu encontrei essa daqui, que é uma das minhas poesias que eu mais gosto e que também fala um pouco sobre a Depressão.

Poesia do dia 21 de setembro de 2009 (segunda-feira)

Fusco



Noite profunda, sem nenhum luar,

Onde está a luz nessa Escuridão?
Mesmo cansada, não posso parar...
É difícil ver outra opção...

Eu me afundo nessa dor louca,
Talvez, eu apenas goste de chorar...
A fuga, mesmo que seja pouca,
Tenta aos poucos me aconchegar...

Adeus, asas perdidas!
Eu as encontro ao amanhecer...
Conviver com minhas feridas
É só o que posso fazer...

Eu quero dessa vida me esquecer,
Quero tocar, tão longe, aquela luz...
Quero docemente adormecer
Na liberdade que tanto me seduz...

Eu sempre gostei muito de Fusco e sempre que alguém me pedia pra ler uma poesia minha, era ela que eu costumava mostrar.

Quando eu a escrevi, eu estava no auge da minha Depressão, estava quase no final do primeiro ano da faculdade, já tinha completado um ano desde que criara minha conta no Nyah! Fanfiction e tentava a todo custo sobreviver aquele sentimento terrível que eu não entendia ainda porque me derrubava tanto.

Eu tinha comentado que não lembrava se tinha chamado em algum texto essas poesias de "poesias cinzentas", nesse texto, que é o Poetry Time 71, eu usei esse termo e eu disse que gostava mais dessas poesias do que das românticas. Interessante, não?

Quando eu escrevi Cause I'm a Writer, em 2015, eu já estava bem melhor do que quando escrevi minhas poesias e já era capaz de ver o quão verdadeiros eram os sentimentos nelas, o quanto de mim tinha nelas.

Mas sempre vale ressaltar que Depressão não é só feita de músicas e poesias tristes, ela tem o lado mais negro, que é essa Escuridão que eu falo na poesia, que te devora, te desfigura, te mutila, te faz sangrar e gritar e ninguém te escuta. Depressão não é um movimento literário, é uma doença e nós temos de tratá-la como tal sempre!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 13 de agosto de 2017

O Estigma nos mata, não a doença



A cantora irlandesa Sinead O´Connor fez um vídeo emocionante sobre Depressão e sobre como é horrível conviver com a doença e como o Estigma ainda mata mais as pessoas do que a doença em si.

Essa é a terrível verdade. A Depressão pode nos deixar completamente afundados em solidão, em dor e escuridão, mas toda vez que as pessoas a nossa volta desacreditam e desmerecem o que sentimos, não tem nada pior!

Ela fala como é difícil sobreviver todos os dias aos sentimentos horríveis que a doença traz e isso não é viver!

A Depressão é uma doença que não está no físico, apesar de ter vários indícios, mas ela é uma doença que ataca aquilo que não podemos ver e tocar, que não dá pra amputar! Eu não sei no que vocês acreditam, mas eu acredito que cada um de nós tem Alma e é justamente onde eu acho que ela ataca. Ela ataca naquilo que existe de mais puro dentro de nós, na fonte de todos os nossos sentimentos, onde consegue nos deixar mais despedaçados e frágeis!

Se alguém quiser ver o vídeo inteiro, só consegui esse trechinho legendado, o link está aqui embaixo:

Minha mente quebrada



É muito triste mesmo encarar essa realidade das doenças mentais, porque muitas vezes as pessoas que não aceitam que você não está bem são principalmente aquelas que deviam estar ao seu lado, te apoiando e cuidando pra que você melhore.

Eu vou bater na tecla de que Depressão não tem nada a ver com ócio e a popular frase "falta de louça pra lavar" até conseguir fazer entrar na cabeça de alguém! É muito feio dizerem uma coisa dessas pra alguém que está doente! Ainda mais alguém pra quem as coisas assim tem um peso muito maior!

Como você consegue convencer alguém a procurar ajuda, procurar um Psicólogo e tratamento se esse preconceito ridículo ainda existe? Mas o que me deixa inconformada é que infelizmente a resposta que eu ouço é "nós ainda temos preconceito com cor da pele, com sexualidade, com etnia, como não teria com doenças?". Eu não acredito que ainda vivemos num mundo tão estagnado, em que pessoas ainda acham que tem direitos de julgar os outros!

Pele, sexualidade, etnia, nada disso tem a ver com  ninguém, cada um cuida de si e nós vivemos muito melhor!

Doença, se você não tem nada de bom pra dizer, se você não pretende ajudar, FIQUE EM SILÊNCIO! As pessoas precisam de apoio, de carinho e vocês só querem machucar mais pessoas já muito machucadas!

Falta sensibilidade nas pessoas, falta pararem de julgar os outros por si e olhar as pessoas a sua volta com o coração! Nós precisamos voltar a cuidar um do outro!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 12 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão - Agonizando


Voltando às poesias que eu expliquei muito por cima quando as coloquei em meu "Poetry Time" do Cause I'm a Writer, eu encontrei mais uma que se encontra na mesma categoria das Poesias Cinzentas.

Poesia do dia 14 de janeiro de 2010 (quinta-feira)

Agonizando



Eu me sinto tão vazia que mal posso chorar.

A minha alma aqui dentro está se rasgando.
Em parte alguma, eu sinto a dor parar.
É terrível me manter respirando.


Eu sinto o ódio rangendo os meus dentes,

Sinto a dor profunda me despedaçando,
O gosto de sangue e de culpa em minha boca, bem quentes,
A loucura corre em minhas veias, me incitando.


O Espelho provocante torna-se mais demoníaco

Diante dos meus olhos, me ludibriando,
Debochando do desesperado batimento cardíaco
Do meu frágil coração ainda pulsando.


O meu viver quer rapidamente se acabar,

Se render teatralmente ao que vai me matando.
Eu quero, eu preciso de lágrimas pra chorar,
Pra jogar fora o que está definhando.


Já estou farta de fingir tudo aguentar,

Porque eu não vou mesmo acabar ganhando!
A quem eu estou tentando enganar?
Qualquer um sabe o final que está me esperando...


Uma parte de mim, desejava viver...

Quando foi que ela foi se acabando?
Que triste fim que a fez esquecer
A sua força pra continuar lutando?


As rimas mancham esse simples papel,

A fria realidade está agora despontando...
Um autorretrato tão cruel
Dos sonhos lindos evaporando...


Foi a falta de fé, de confiança?

Foi isso que um monstro acabou criando?
Um devorador de almas, de esperança?
Isso que agora eu vou me tornando?


É um novo e assustador quarto escuro...

Uma pura e inocente criança brincando...
Traços do triste vislumbre do futuro
Que com o subir das cortinas está começando...



Essa foi a única poesia que eu escrevi em 2010, um ano muito mais próximo de quando eu entrei em Depressão do que agora. Eu começo a poesia já falando sobre me sentir vazia e não conseguir chorar, o que é mais do que explicação por si mesmo e depois eu falo sobre a dor profunda me despedaçando e o sabor de sangue e de culpa, tudo isso está relacionado a Depressão.


"O meu viver quer rapidamente se acabar,
Se render teatralmente ao que vai me matando."


Eu ainda tinha na ideia que a saída para acabar com a dor era morrer, mesmo nessa época eu já estar completamente focada em escrever e em buscar melhorar. O caminho que eu tinha pela frente ainda era longo e eu mal tinha começado. É muito fácil cair em tentação de desistir.


No final da minha explicação quando eu postei essa poesia da última vez, eu disse uma coisa muito interessante que eu vou repetir aqui:

"... aquela criança inocente e sonhadora, que voava com as asas malfadadas da rosa da manhã se transformou num monstro devorador de almas e de esperança".

Usando minhas próprias metáforas para explicar sem dizer absolutamente nada! Palmas! A criança, que era eu, nas "asas da manhã", a infância malfadada por sempre ter de terminar, foi transformada pela doença no monstro da Depressão.

Eu estou gostando de refazer essas análises e falar abertamente sobre o que se passava comigo nessa época. Espero que vocês também gostem!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Filme de Monstro


No meu último texto, eu falei sobre como as gravuras costumam representar a Depressão como um monstro e me lembrei de uma coisa que minha irmã me disse uma vez sobre o filme "The Babadook".

Pra quem não conhece, "The Babadook" é um filme de terror psicológico de 2014, sobre uma mulher viúva tentando lidar com a morte do marido e a criação conturbada de seu filho.

Apesar de esse ano, por causa de uma brincadeira no Tumblr, o Babadook ter se tornado um símbolo entre a comunidade gay por associá-lo com a frase "sair do armário", o que eu realmente vim falar não tem nada a ver com isso.

Eu não sou a maior fã de filmes de terror, mas a minha irmã é e ela também é psicóloga, o que deixa suas interpretações ainda mais interessantes. Quando ela assistiu ao filme, quis me convencer a assisti-lo também e seu argumento foi que não era um filme tão assustador quando você assiste sob o olhar de que o monstro na verdade é a Depressão mal tratada dessa mulher.

Muitas vezes, em listas sobre filmes de terror para assistir, eu já tinha visto muitos comentários sobre Babadook não ser um filme tão assustador e essa foi a verdade que minha irmã encontrou e dividiu comigo. Ele não é um filme assustador para as pessoas que gostem de filmes de terro porque ele é um filme sobre lidar com a Depressão.

Esse monstro que assombra a casa dela e ameaça seu filho é a própria doença, negligenciada desde a morte de seu marido, o que fica bastante claro quando o Babadook assume a forma dele numa das cenas do filme.

Eu recomendo a todos que nunca viram e todos que assistiram apenas como mais um filme de terror, verem "The Babadook" com essa análise e entenderem melhor ainda como a Depressão funciona.


http://i.imgur.com/DBWFTVg.gif
Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Bravura!


"Você acorda toda manhã para lutar com os mesmos demônios que te deixaram tão cansado na noite anterior, e isso, meu amor, é Bravura!"

Com a Depressão é assim, todos os dias, mesmo que você vença no dia anterior, hoje você precisa lutar de novo. Por isso, nós precisamos mudar a visão que as pessoas tem de que quem tem Depressão é fraco, é ocioso. Muitas vezes, são as pessoas mais fortes e batalhadoras que você vai conhecer!

Mas o importante não é vencer e e sei que isso parece aquela coisa de quando a gente é criança  e nossas mães tentam nos ensinar, mas eu não vou falar que o importante é competir. O que é realmente importante é continuar! Uma vitória não pode te deixar cheio de confiança e uma derrota não pode te deixar desmotivado. É o que significa lutar diariamente, cada dia conta, cada vez que você se levanta, você se prepara pra lutar, isso é o mais importante!

Eu acho muito interessante que nessas gravuras sempre a Depressão é retratada como um monstro. Às vezes, ela é grande, às vezes, pequena, mas nunca é uma coisa bonita de se encarar. Porque ela escolhe o pior que há em nós para se disfarçar, para nos enganar e machucar... Essa é a verdadeira face da doença.

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Revisitando as Poesias sobre minha Depressão- Shadows


Quando eu escrevi o "Cause I'm a Writer E Outras Histórias" aqui no blog em 2015, eu expliquei muito por cima toda a temática de Depressão e sobre a minha real vontade de morrer, então vou pegar algumas das poesias que já foram apresentadas e interpretadas aqui, fazer uma pequena revisão.

Eu não me lembro ao certo se mencionei em algum dos textos como eu me refiria a essas poesias da Depressão, mas nas tags vocês podem encontrá-las como "Poesias Cinzentas".

Poesia do dia 1 de março de 2014 (sábado)

Shadows

Antes, tudo era escuridão
E eu vivi nela até meus olhos se acostumarem
Com vultos, vi imagens se formarem...
Achei que aquilo era visão!
Achei que dava para as luzes me encontrarem...


O caminho era longo, o fim, distante,
Muitas vezes, tropecei e caí...
Não havia muito mais que sentir...
Havia só a promessa farsante
De um dia verdadeiramente existir...


Na escuridão, não há asas, não há flor.
A escuridão é o oposto do amanhecer.
Na escuridão, não se pode nem mesmo morrer...
Mas a morte não se afasta e está na dor...
A escuridão não é mais que sofrer...


Esse lugar faz chover incessante
Ou talvez seja só o meu desejo...
A chuva não é luz, mas me vejo
E a escuridão não perdoa o instante,
Não perdoa meu pequeno lampejo...


Minha chuva, a tristeza não afoga,
Desolação que sufoca meus passos,
Ofegante, eu caio aos pedaços...
Minha alma pela luz roga,
Sem forças, me carrego em meus braços!

Essa foi a última poesia que eu consegui escrever, já faz um bom tempo e ela fala quase abertamente sobre como eu estava me sentindo. Ela fala sobre se acostumar à escuridão, que é conviver com a doença, fala sobre o caminho ser longo e sobre os tropeços, que é toda vez que você pensa que está no seu domínio e a doença volta a te derrubar.

Alguém uma vez me disse que eu era como um pássaro sem asas, porque artistas costumam ser engolidos pela própria arte e não conseguem ficar em paz num lugar só, enquanto que eu era calma e estática; essa pessoa não percebeu que eu era um túmulo por fora pra manter meus monstros gritando apenas aqui dentro! Essa metáfora das asas, como eu já expliquei antes, está ligada à minha infância, não que eu me considerasse mais livre quando criança, mas a ideia de crescer e não voar mais explica muito bem a sensação.

"Na escuridão, não se pode nem mesmo morrer...
Mas a morte não se afasta e está na dor..."


É triste e ao mesmo tempo tão bonito falar da depressão dessa maneira poética. Que saudades de escrever poesia!


Meu verso preferido com certeza é o último: "Sem forças, me carrego em meus braços!". Não tem ninguém dentro do seu próprio eu para te salvar da Depressão, só você mesmo!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A arte de cuidar do outro!


Eu quero dividir esse vídeo aqui com vocês, a primeira vez que eu o assisti no Facebook, me fez chorar que nem bebê!

Por que é que nós crescemos?

Claro que é a natureza da vida, nascer, crescer, morrer... Mas por que temos de crescer e endurecer nossos sentimentos? Se ainda tivéssemos o coração de uma criança, o mundo seria um lugar muito melhor!

Nosso mundo está doente porque desaprendemos a olhar para os outros! A nos importar, a cuidar para que o outro tenha as mesmas oportunidades...

Espero que essa lição inspire a todos nós, todos os dias! Precisamos fazer desse mundo, do nosso mundo, da nossa casa, um lugar melhor PRA TODOS!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Brasil não é um país alegre!


Nós não temos esperança, nem entre os mais novos, que não tem condições de entrar no mercado de trabalho, que não conseguem se firmar na sociedade, não tem direitos e só muitos deveres, mas também não temos esperanças entre os mais velhos, que, mesmo consolidados em suas profissões, não ganham o suficiente para manter seus lares, para pagar esses impostos absurdos que o governo coloca sobre a população, como se fosse uma sentença de morte!

Nós temos a maior taxa de Depressão da América Latina e ainda relutamos em considerá-la uma doença, mesmo que ela venha tirando vidas ao nosso lado descomunalmente!

Relutamos em admitir que existe um problema e fazemos piada de tudo ao invés de pensar em uma mudança drástica e necessária! A piada nos deixa ainda mais doentes!

A Depressão ainda é encarada em muitos lares como fraqueza, como "falta de louça pra lavar", como ócio, preguiça, falta de garra... Mesmo que diariamente lutemos para mudar essa visão, muitas pessoas ainda são cegas para muitas coisas que só ajudam a disseminar esse preconceito!

O Brasil não é um país alegre! O brasileiro NÃO é um povo alegre!

É um dos países mais perigosos para ser criança, mulher, homossexual, trans... Quem olha de fora e vê "carnaval", não vê a guerrilha que é caminhar pelas ruas, com medo da própria sombra, não vê o que é correr com o coração apertado pela rua da própria casa!

Nós vivemos com medo! Medo de tudo, medo das pessoas, medo do governo, medo da inflação, do desemprego, da intolerância, medo de não ter o que comer, medo de bala perdida, medo de trabalhar todos os dias ao longo da vida e não ter direito nem de morrer em paz! Como dá pra ser feliz assim? Como ser saudável assim?

O Brasil está longe de ser um país alegre... E cada vez mais longe de ser um país!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 6 de agosto de 2017

Fantasma da Depressão


Eu compartilhei esse quadrinho da página Fantasmas e quis escrever sobre isso. Na verdade, no Facebook eu sempre compartilho muitas coisas sobre depressão, principalmente nesses dois últimos anos e eu estou muito feliz conseguindo escrever aqui no blog sobre isso também!

O que me deu vontade de escrever nesse quadrinho é porque é uma situação na qual eu me encontro praticamente todos os dias. Na capa do post passado tinha uma frase dizendo que algumas pessoas com Depressão não conseguem sair da cama e outras conseguem, apesar da doença. Mas vai além dessa dificuldade de sair da cama! A Depressão tira completamente sua vontade de sair de casa!

Muitas vezes, eu quero sair, encontrar meus amigos, me divertir, então eu marco alguma coisa com eles e nesse momento a doença entra em ação! Eu perco a vontade, eu não quero mais me divertir, eu não quero mais ver ninguém, eu não quero sair de casa, eu fico torcendo para que chova, pra que eles desmarquem, pra que aconteça algum imprevisto, eu me pego imaginando desculpas pra não ter de ir... É raro, raríssimo a Depressão te deixar se divertir como uma pessoa que não tem a doença!

Isso não quer dizer que eu não goste mais da companhia deles, que eu não quero mais vê-los, que, quando nenhum imprevisto acontece e eu realmente vou a esse encontro, eu não me divirta. Isso só está ligado a mais um dos sintomas que eu preciso lutar diariamente para não me consumir.

Enquanto eu escrevo esse texto, estou escutando a música "Dark Side", da Kelly Clarkson e eu gosto muito da letra porque ela diz exatamente sobre isso:



"Há um lugar que eu conheço/ Não é muito bonito lá e poucos viram/ Se eu o mostrasse agora/ Ele te faria fugir?/ Ou te faria ficar?/ Mesmo que doa/ Mesmo se eu tentar te afastar/ Você voltará?/ E me lembrará de quem eu realmente sou?"



Eu acho impressionante como, quando a gente para pra procurar um pouquinho, encontra pedaços de sentimentos que estão na gente em músicas que gostamos, em livros que lemos, filmes que assistimos... Cada um lida de uma forma, mas quando tantas pessoas falam sobre os mesmos sintomas em lugares diferentes, de jeitos diferentes, como ainda insistir que Depressão não existe?

Nesse trecho da música que eu destaquei, ela fala sobre "mesmo se eu tentar te afastar", que é exatamente o que eu vim falar hoje, sobre como acabamos afastando os outros por causa da doença e nos deixamos sozinhos, sofrendo ainda mais.

Num outro trecho, ela diz:



"Todo mundo tem um lado negro/ você me ama?/ Pode amar o meu?/ Ninguém é uma imagem perfeita/ Mas nós valemos à pena"




É tão difícil aprender a se amar de novo depois da Depressão, gostar das coisas que fazemos, das qualidades que temos... É tão difícil apreciar os momentos em que conseguimos vencer, conseguimos sair e nos divertir, conseguimos ser positivos...


Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 5 de agosto de 2017

Coletânea de Universos Fantásticos Editora PenDragon


Eu preciso falar um pouco sobre esse livro maravilhoso da Editora PenDragon que também entrou em pré-venda e será lançado na Bienal do Rio de Janeiro (eu já falei demais da Casa das Hostesses Guilty por aqui, vocês vão acabar se cansando de mim *ri*)

"Universos Fantásticos" é uma Coletânea de Contos de todos os autores da PenDragon e está maravilhosa!

Meu conto é, como está aí na capa, Youkai da Destruição, mas todos os contos são incríveis e você não consegue largar o livro do começo ao fim! Eu achei a ideia desse livro maravilhosa e é uma grande honra pra mim estar ao lado dos meus irmãos dragões em mais essa aventura!

Se vocês quiserem saber mais, o Blog Mais QI Nerds fez um post com cada autor falando um pouquinho sobre o seu conto ===> Entrevista

Não deixem escapar essa incrível oportunidade e comprem agora mesmo!

Link para compra ===> Universos Fantásticos

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe